iG - Internet Group

iBest

brTurbo

07/07 - 18:36hs

Roller derby inspira filme de Drew Barrymore e time de meninas em SP
Como Ellen Page, estrela de “Garota Fantástica”, elas se equilibram nos patins e encaram tombos em esporte ainda novo no Brasil 

Larissa Drumond, iG São Paulo

> Leia mais: meninas do time palestino falam de Copa e hip hop
> iG Jovem vai conferir a final da Copa Disney
> Siga o iGirl no Twitter!

Capacete, cotoveleira, munhequeira, joelheira, protetor bucal e, claro, patins. Só depois de vestir tudo isso, uma menina está pronta para treinar o roller derby, esporte que inspirou o recém-lançado “Garota Fantástica”, filme estrelado por Ellen Page (“Juno”) e que marca a estreia de Drew Barrymore como diretora.

Com roupas coloridas e divertidas, tatuagens pelo corpo, meia arrastão e nenhum medo de cair e se machucar feio, mais de 30 mil mulheres formam 540 ligas de roller derby em 16 países. Uma dessas é a “Ladies of Hell Town”, de São Paulo, liderada por Juliana “Beki Band-Aid” e Juliana “Ginger Midget”. As 12 meninas que se encontram aos fins de semana no Parque do Ibirapuera se conheceram pela internet. Além delas, garotas do Espírito Santo, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro também estão tentando formar times.

Veja a reportagem em vídeo sobre o roller derby:


“É muito complicado explicar o que é roller derby. Não se usa bola e não existe nenhum outro equipamento para pontuar a não ser o corpo”, diz Débora Machado, que treina na liga paulistana. Foi por causa do filme que a estudante de moda se interessou pelo esporte. Depois de ter visto as personagens por baixo de todos aqueles protetores deslizando sobre uma pista, ela pesquisou se já existia alguma liga no País. “Vi que algumas meninas estavam montando e entrei em contato. Ainda estamos procurando mais gente”, conta.

Go, team!
Como diz Débora, é complicado entender o jogo. Para quem não conhece as regras, parece mesmo um monte de garotas se batendo em alta velocidade. Bem, é mais ou menos isso. Basicamente, são quatro meninas do time adversário bloqueando a passagem da chamada “jammer”, que tenta ultrapassá-las, e mais quatro do time dela ajudando. Tudo isso acontece dentro de uma pista oval inclinada (banked track) ou reta (flat track). O objetivo é que a jammer marque o máximo de pontos possíveis em uma hora, dividida em dois tempos, com jogadas de dois minutos. “Entre 15 e 20 meninas revezam por ser cansativo demais e elas podem trocar a posição”, explica Juliana “Beki Band-Aid”.

Meninas treinam em São Paulo: "Roxos são como troféus", brincam

Esses nomes divertidos, aliás, fazem parte do esporte. Não é um simples apelido como Kaká ou Grafite. Os “derby names” são todos cadastrados em uma lista internacional e passam por uma comissão avaliadora para ninguém ter um repetido ou muito similar. “É como se fosse um alterego. Geralmente, nós criamos algo relacionado ao roller derby, a machucados ou ao nome de famosos”, conta Juliana “Ginger Midget” que tem esse nome gracioso por ter 1.82m de altura e ironiza a palavra “midget” (anão, em inglês).

Juliana Brüzzi escolheu “Beki Band-Aid” para fazer um trocadilho com a vocalista Beki Bondage, da banda punk dos anos 80 Vice Squad. As jogadoras famosas costumam ter nomes geniais, como a Beyonslay, do Gotham Girls. Qualquer semelhança com “Beyoncé” não é mera coincidência. A personagem de Drew Barrymore em “Garota Fantástica” chama-se Smashley Simpson. Os nomes precisam ser em inglês para não criar choques culturais e linguísticos com os outros países.

Final score
Para as meninas que gostam de patinar e estão procurando mais adrenalina nas manhãs de domingo, é só mandar um e-mail para a “Ladies of Hell Town” (ladiesofhelltown@hotmail.com), pagar uma taxa de adesão, comprar os equipamentos e comparecer aos treinos. Mas os patins não são aqueles in-line, com quatro rodinhas de gel alinhadas. No roller derby, é usado o vintage, com duas rodas na frente e duas atrás. “Ele dá mais velocidade e não tem bota, deixando o tornozelo solto. O legal é que dá para customizar e usar rodas de skate também”, diz Débora. Ainda não existe muita opção de modelo no Brasil. A solução é comprar pela internet ou pedir para algum amigo trazer do exterior.

Juliana (de costas) orienta o time: todas se conheceram pela internet

E para patins diferentes, existem técnicas diferentes. O segredo para não cair é a posição: “tem que flexionar os joelhos e ‘sentar’ numa cadeira invisível”, conta “Band-Aid”. Mas quedas podem ser bem-vindas, principalmente quando deixam o corpo cheio de hematomas. “É a prova do nosso esforço. Nós tiramos fotos e colocamos no Facebook como se fossem trofeuzinhos”, comemora Débora. Algumas festejam mais ainda quando se estatelam de meia arrastão, queimam a perna com o atrito e ficam com a padronagem marcada na perna. É o estilo roller derby!





Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG



Contador de notícias