Campeã mundial de kitesurfe: "Falta apoio ao esporte no Brasil"

Aos 23 anos, a campeã Bruna Kajiya, referência no esporte, conta ao iG detalhes sobre o esporte e a carreira

Emilio Franco Jr, especial para o iG |

Divulgação / Red Bull
Bruna Kajiya

O kitesurfe é um esporte radical praticado sobre as águas. Os atletas usam uma prancha, presa aos pés, que ganha velocidade em função dos ventos que atingem a grande pipa amarrada na cintura dos competidores, que precisam direcioná-la com as mãos para executar manobras no ar.

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As três modalidades de kitesurfe são: freestyle, kite wave e regata
Por suas características naturais, o litoral nordestino preenche todos os requisitos necessários para satisfazer os apaixonados pela atividade, que se reuniram no último final de semana em Barra do Cunhaú, no Rio Grande do Norte, para a segunda etapa do “ Volkswagen Kite Tour 2011 ”, o campeonato nacional da categoria que ainda terá etapas em Florianópolis, Vitória e Rio de Janeiro.

São três modalidades distintas: freestyle , kite wave e regata . A primeira é a mais popular e radical e é aquela em que os praticantes realizam movimentos acrobáticos em velocidade, até por isso se tornou a mais disseminada entre os jovens. A segunda é bastante parecida com a anterior, mas os competidores usam prancha de surfe tradicional no lugar da de kite, menor e mais parecida com a de snowboard, esporte sobre a neve. Já a terceira e última modalidade, a regata, funciona como uma corrida, na qual vence quem, obviamente, chega em primeiro, e não quem é mais bem avaliado pelos juízes, como nas outras duas. Esse é o estilo que mais tem chances de se tornar modalidade olímpica.

Apesar de parecer uma atividade gostosa para quem assiste, em função dos “voos” em ambientes paradisíacos, o kitesurfe exige muito dos atletas. Quem considera a ideia de se arriscar no esporte precisa enfrentar rotina de treinos dentro e fora d’água. Mas antes mesmo de pensar na preparação diária para competições, o iniciante deve, primeiro, procurar uma escolinha de kite certificada pelo IKO (Organização Internacional de Kiteboarding, na sigla em inglês) e evitar mares com muita onda. “O começo pode ser perigoso se a pessoa não for bem instruída”, alerta a líder do ranking brasileiro de freestyle Bruna Kajiya , de 23 anos, campeã mundial em 2009, na Oceania. Para ela, não há segredo para ser atleta de kite, basta se dedicar e treinar como em qualquer outro esporte.

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Capeonato Brasileiro de Kitesurfe, no Rio Grande do Norte

As competições acontecem pelo enfrentamento direto entre dois atletas em baterias de sete minutos, tempo em que devem mostrar aos julgadores seus repertórios de manobras. Quem se sai melhor, avança para a fase seguinte até que sobrem apenas os dois mais bem avaliados, que se enfrentam na final. Na etapa do Rio Grande Norte, quem acompanhou as competições de freestyle feminino viu, mais uma vez, Bruna levar a melhor contra as adversárias. Em baterias acirradas, a paulista de Ilha Bela soube usar a experiência para bater as concorrentes.

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Bruna Kajiya
Bruna conversou com a reportagem do iG Jovem antes do início da etapa brasileira do campeonato mundial, para o qual ela tem vaga assegurada por estar entre as seis primeiras do ranking internacional, e falou sobre o início de sua carreira, quando “era tudo festa”, as dificuldades do esporte, as vitórias e os planos para o futuro.

iG: Como você começou a praticar o kitesurfe?
Bruna Kajiya:
Sempre amei e precisei do mar na minha vida. Quando sofri um acidente, dei um tempo no surfe, mas por meio de alguns amigos conheci o kitesurfe bem na frente do meu colégio, em Ilhabela.

iG: Que acidente foi esse?
Bruna Kajiya:
Eu fui teimosa e mesmo com o aviso dos meus amigos mais experientes de que o mar estava grande e eu deveria ficar na praia, eu fui surfar. Logo que entrei, veio uma série grande e me pegou. No meio disso, perdi a prancha e ela bateu na minha boca, tive que tomar sete pontos. Foi uma experiência bem ruim.

iG: Começar no kitesurfe foi muito difícil?
Bruna Kajiya:
Na verdade, eu não me lembro de ter sido difícil, só me lembro de ser divertido. Mas, atualmente, quando vejo as pessoas aprendendo e as dificuldades que elas têm, lembro que passei pelas mesmas situações. Acho que por gostar do esporte, registrei a experiência na memória de maneira diferente. Para mim era tudo festa.

iG: Como foi o caminho até o mundial de 2009?
Bruna Kajiya:
Foi árduo. Enfrentei anos e anos de dedicação, com viagens e longos períodos longe de casa. Foi um grande desafio pessoal e de autoconhecimento.

Divulgação / Red Bull
Bruna Kajiya em ação

iG: Como é ser reconhecida como a melhor do mundo em sua modalidade?
Bruna Kajiya:
É muito gratificante porque foram muitas horas na água, trabalho duro, treinos e mais um monte de coisas que me levou a ter esse reconhecimento, isso dá uma sensação de dever cumprido.

iG: Esse rótulo pesa ou ajuda na hora de competir?
Bruna Kajiya:
Muita gente acha que ajuda, mas, para mim, pesa. Gosto de ver os outros felizes e quero agradar, por isso, quando vou competir não quero desapontar as pessoas que estão ali torcendo por mim e esperando uma boa performance.

iG: Alguém te auxiliou a chegar tão longe no esporte?
Bruna Kajiya:
Sempre tive muito apoio dos meus patrocinadores Mystic, Red Bull e Flexifoil, mas também tive o importante apoio da minha família. Juntos formamos um time e foi por isso que eu cheguei tão longe.

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Bruna Kajiya no pódio
iG: Como é sua rotina de treino para as competições?
Bruna Kajiya:
Eu pratico na água manobras específicas que irei fazer nas baterias e fora dela faço um treinamento novo com o José Augusto Menegatti chamado morfofuncional, que evita lesões, fortalece a musculatura e melhora a agilidade.

iG: Como está sendo participar das etapas do campeonato brasileiro?
Bruna Kajiya:
Tem sido muito divertido, para mim é sempre um prazer competir no Brasil porque acabo encontrando muitos amigos que não vejo sempre em função das viagens. Eu também acho muito importante estar presente no esporte dentro do país e fazer o possível para que ele cresça.

iG: Você participa agora da etapa brasileira do mundial. O nível de dificuldade é muito maior?
Bruna Kajiya:
Para mim, a dificuldade é a mesma, mas é muito bom competir no meu país.

iG: Como é viver do esporte no Brasil?
Bruna Kajiya:
É difícil porque falta apoio ao esporte, mas pouco a pouco a situação do kite no Brasil está melhorando.

iG: Quais os seus planos para o futuro dentro do esporte?
Bruna Kajiya:
Eu quero continuar fazendo o circuito mundial e brasileiro, mas meu maior objetivo é a evolução do kitesurfe feminino. Quero fazer manobras novas e impulsionar o esporte.

Divugação
Volkswagen Kite Tour 2011 na Barra do Cunhaú, no Rio Grande do Norte

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