Isabela Sousa leva o Brasil para o topo do mundo no bodyboard feminino

"A rivalidade entre surfe e bodyboard é coisa de iniciante", diz a bicampeã mundial de bodyboard, que quer superar o pentacampeonato de Neymara Carvalho

Bruno Capelas , iG São Paulo |

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"Não tem como falar de bodyboard sem falar da Neymara Carvalho e do Guilherme Tâmega", diz Isabela Sousa

Pela segunda vez em três anos, o Brasil ocupa o topo do mundo no bodyboard feminino. Se em décadas passadas o país já teve campeãs como Neymara Carvalho (cinco títulos entre 2003 e 2009) e Glenda Kozlowski (a jornalista foi tetracampeã no começo da década de 1990), dessa vez a honraria pertence à bicampeã cearense Isabela Sousa.

No fim de setembro, a cearense de 22 anos conquistou pela segunda vez o título mundial, em prova realizada na praia de Margarita, na Venezuela. “Chegar ao topo do mundo é uma sensação que todo atleta almeja. Não tenho nem como explicar como eu me senti”, disse Isabela em entrevista ao iG.

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Campeã mundial em 2010 e vice em 2011, Isabela não deixou o caneco passar em 2012, vencendo com uma etapa de antecipação

Campeã em 2010 e vice em 2011, na última competição Isabela não ousou relaxar até o minuto final da disputa. “Em 2010, já tinha garantido o troféu e acabei ficando tranquila por um tempo. Talvez isso tenha me custado o título no ano seguinte. Dessa vez não quis desanimar”.

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Isabela faz planos para alcançar no futuro sua meta esportiva. “Seria um sonho conseguir superar o pentacampeonato da Neymara. Mas, por agora, quero encerrar o ano bem, vencendo o campeonato latino-americano e ajudando o Brasil a ganhar os ISA Games [competição por equipes], que acontecem na Venezuela no fim de novembro”, explica ela.

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Na entrevista a seguir, Isabela fala um pouco mais sobre a campanha vitoriosa em 2012, conta como começou a pegar ondas e dá dicas para quem quiser seguir seu caminho, além de refletir sobre a tão falada rivalidade entre surfistas e bodyboarders. Confira!

iG: Como você começou a praticar o bodyboard?
Isabela Sousa: Moro a um quarteirão da praia de Icaraí, na região metropolitana de Fortaleza. Por isso, sempre tive contato natural com a praia. Desde pequena, minha mãe me levava todo dia para o mar, e comecei a pegar onda por influência do meu irmão, que é surfista. Ganhei minha primeira prancha de uma cunhada, aos 11 anos. E aí foi ficando sério, mais sério, e cá estou eu hoje.

iG: Como é ser bicampeã mundial?
Isabela Sousa: É uma sensação que não tenho nem como explicar. Acho que todo atleta, de qualquer esporte, almeja isso, são muitos anos de trabalho para chegar a esse feito. E conseguir isso pela segunda vez é ainda mais gostoso.

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"Praticar o bodyboard é ter um relacionamento muito bonito com o mar", diz a cearense de 22 anos

iG: Qual foi o momento mais marcante do campeonato em 2012?
Isabela Sousa: Foram dois. Um foi a vitória em Pipeline, no Havaí, porque foi bastante disputada, e porque é o grande lugar do bodyboard no mundo. É quase como o Maracanã do esporte. E ganhar no Rio foi bastante especial, principalmente porque todo mundo foi para a beira da praia me apoiar bastante.

iG: Que dica você dá para quem quiser começar no esporte?
Isabela Sousa: Cuidar de si mesmo é essencial: muito protetor solar e sempre esteja preso áquela cordinha para não deixar a prancha desgarrar de você no mar. De resto, é saber curtir um esporte incrível, altamente saudável e com muito contato com a natureza. Como bodyboarder, tenho um relacionamento muito bonito com o mar.

iG: Às vezes, nota-se que o bodyboard é um esporte secundário na grande imprensa. Você sente isso?
Isabela Sousa: O bodyboard é um esporte muito novo, surgiu nos anos 1980. Quando começou, foi algo que virou moda, apareceu muito na TV e tudo mais. Como toda moda, o bodyboard teve um declínio não só por aqui, mas no mundo inteiro, e acho que isso está mudando de uns tempos pra cá. Novos patrocinadores, novos eventos e sobretudo novos atletas estão dando ao body uma nova identidade, reconquistando o espaço que ele tinha anteriormente.

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"Meu sonho é superar o pentacampeonato da Neymara Carvalho", explica Isabela

iG: Você acha que falta incentivo por parte das empresas e da iniciativa pública para o esporte?
Isabela Sousa: Não. O que falta hoje, na verdade, é o apoio da mídia. Mas até isso está melhorando: vários meios de comunicação estão dando espaço para o esporte. A evolução dos atletas nunca parou, estão sempre sendo criadas manobras novas, e os torneios continuam rolando. Vamos ver se as coisas melhoram daqui pra frente.

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iG: Quem te inspirou a seguir em frente no bodyboard?
Isabela Sousa: Minha família me deu muita força, mas não posso deixar de citar o Guilherme Tâmega e a Neymara Carvalho. Não tem como falar do bodyboard sem falar deles. Além disso, gosto muito do Ayrton Senna. A imagem dele sempre me inspirou bastante.

iG: Depois do título, você vai descansar ou o negócio é continuar treinando?
Isabela Sousa: Ainda estou correndo o circuito latino-americano, do qual sou tetracampeã, e tem a última etapa do mundial em Porto Rico. Fora isso, tem também o ISA Games, um campeonato por equipes que acontece no fim de novembro na Venezuela. Quero muito ajudar o time brasileiro a ter uma boa colocação.

iG: Muita gente fala sobre a rivalidade do bodyboard com o surfe. Como você se sente quanto a isso?
Isabela Sousa: No fundo, eu não sinto essa rivalidade. Já morei com surfistas, tenho vários amigos que pegam onda e não rola muito isso não. A rivalidade entre surfe e bodyboard é coisa de iniciante. Tem onda boa para todo mundo.

iG: Você tem só 22 anos e já é uma das principais atletas da sua modalidade. Onde você se vê daqui a dez anos?
Isabela Sousa: Não sei. Tenho o sonho de bater o recorde da Neymara Carvalho, mas ainda tem muita coisa para acontecer. É difícil, acho melhor pensar em algo mais próximo: quero acabar bem 2012 e me focar no terceiro título no ano que vem.

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