Ricardo dos Santos: “Os gringos estão espantados com os surfistas brasileiros”

Aos 22 anos, atleta de Santa Catarina vence Kelly Slater em etapa do World Tour e avisa: “Em cinco anos, os brasileiros vão dominar todas as áreas do surfe”

Bruno Capelas , iG São Paulo |

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"Pensei comigo: 'o Andy Irons não daria mole pro Kelly Slater. Também não vou dar'. Funcionou, né?", diz Ricardo dos Santos

O catarinense Ricardo dos Santos está sorrindo de orelha a orelha. Não é para menos: na última etapa do circuito mundial de surfe, o World Tour (WT) , disputada em Teahupoo , no Taiti , o surfista venceu uma bateria contra uma das lendas do esporte, Kelly Slater , onze vezes campeão mundial. “Tentei não me abalar, achei que ele era apenas mais um adversário. Fiquei focado e acabou dando certo”, conta Ricardo em entrevista ao iG .

De quebra, Ricardo ainda levou para casa o troféu Andy Irons Forever , no qual os próprios surfistas do WT escolhem o atleta mais corajoso da competição naquele momento.

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Além de surfar, Ricardo também produz vídeos sobre suas viagens, que posta em seu blog "Salty Water Crazy Dreams"

“Essa última etapa é o ponto mais alto da minha carreira até agora. Fui reconhecido pelos melhores do mundo, e isso é sensacional”, comenta o catarinense de 22 anos, fã declarado do surfista que dá nome à premiação. “O Andy é uma referência para qualquer um em sã consciência que está no meio do surfe”, explica ele.

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Ricardo, que começou a surfar incentivado por um primo mais velho, soube desde cedo o que queria fazer da vida. “Quando eu tinha uns 12 anos, já tinha nítido que ia ser um surfista profissional”, lembra o atleta.

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Além de se dedicar às competições do calendário profissional, o catarinense também foca suas atenções em um tipo específico de manobra: os tubos.

Único brasileiro a ter participado da última edição do Mundaka Challenge , torneio voltado aos especialistas em tubos (conhecidos como “tube riders”), Ricardo explica a preferência: “Não foi uma escolha. É uma questão de facilidade ou talento. Além disso, a visão que um surfista consegue ter do mundo quando está dentro de um tubo é incomparável”.

Na entrevista a seguir, o atleta fala mais sobre as conquistas da etapa de Teahupoo, comenta sobre o blog que tem registrando suas viagens pelo mundo e o que gosta de fazer nas horas vagas, além de projetar um futuro brilhante para o surfe brasileiro. “Em breve, vamos ter o campeão mundial. Os gringos estão espantados com os surfistas brasileiros.”

iG: Como foi vencer o Kelly Slater no Taiti?
Ricardo do Santos: Foi um grande feito e um passo importante ao longo do campeonato. Quando entrei na água, não podia pensar que ia competir contra um cara que é onze vezes campeão do mundo. Tentei não me abalar, achei que era apenas mais um adversário. Fiquei bastante confiante para conseguir pegar minhas ondas, estava 100% conectado. Foquei nos mínimos detalhes e fiz o meu melhor, e no fim, acabei ganhando dele.

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Ricardo começou a pegar onda aos 7 anos, e aos 12, já sabia que queria ser surfista profissional

iG: E como foi ter sido escolhido pelos surfistas para receber o troféu Andy Irons Forever?
Ricardo dos Santos: Esse com certeza foi o ponto máximo da minha carreira até o momento. Não só porque traz a memória do Andy Irons em um troféu, mas também porque representa a opinião dos melhores do mundo em um evento. Ser votado para ser o vencedor é algo que me mostrou que estou fazendo um bom trabalho.

iG: Você se inspira no Andy Irons?
Ricardo dos Santos: O Andy Irons é uma referência para todo mundo que está em sã consciência no meio do surfe. Ele foi um guerreiro, um mestre do estilo, um punk em alguns momentos. Sempre aprendi muito com a maneira com que ele surfava e transmitia sua arte quando subia na prancha. Eu já era grande quando ele ganhou todos os seus títulos, foi algo que marcou a minha vida. Acho que ele era um cara que só queria pegar uns tubos gigantes e ser feliz. Esse espírito me ajudou a vencer o Kelly Slater. Na água, pensei nisso: “o Andy não daria mole pro Kelly, não vou dar também”. Funcionou, né?

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"Daqui a cinco anos, quero estar no meu auge", avisa o surfista aos adversários!

iG: Onde você se vê daqui a cinco anos?
Ricardo dos Santos: Vejo meu auge acontecendo nesse período. Vou estar no meu nível máximo de surfe, o que estou vivendo hoje é uma preparação. Minha meta como surfista é atingir o respeito internacional, coisa que nenhum surfista brasileiro teve com muita eficência. Precisamos de pessoas que finquem a bandeira do Brasil lá, mostrando que nós somos uma potência do surfe. Quero ser uma dessas pessoas.

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iG: Como você o surfe brasileiro hoje?
Ricardo dos Santos: Acho que o que foi mostrado para o mundo até então foram respingos do nosso trabalho. Em breve, vamos dominar tudo: vamos ter o campeão mundial e os melhores surfistas de onda grande. Isso é algo evidente para mim, porque os gringos estão espantados com o que está acontecendo aqui, mas nós queremos mais. O surfe tem muitas bifurcações - ondas grandes, tubos, filmes, competições normais - e nós estamos mandando surfistas muito bons em todas as áreas.

iG: Você tem um blog, no qual registra as suas viagens. De onde veio essa ideia?
Ricardo dos Santos: Minha mãe sempre me cobrava para mostrar fotos e vídeos dos lugares por onde eu passava. Comecei tentando mostrar o surfe e as coisas legais que eu via. Ultimamente, anda bem corrido para postar, mas tenho colocado um ou dois vídeos por mês, mas é algo que me dá muito prazer.

iG: Você é especialista em tubos. Por que essa escolheu se tornar um “tube rider”?
Ricardo dos Santos: Não foi uma escolha. É uma questão de facilidade ou talento. Sempre me dei muito bem com os tubos, e essa facilidade falou mais alto. A visão que um surfista tem de dentro de um tubo é incomparável. Fiquei viciado nisso desde o primeiro tubo que dei e nunca pude parar.

iG: O que você gosta de fazer nas suas horas vagas?
Ricardo dos Santos: Por viajar muito e sempre ter vários compromissos, adoro ficar em casa. Curto fazer um churrasco ou uma pizza, porque passar um tempo com os meus amigos e a minha família é um privilégio para mim.

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