JP Dantas: “Vencer é apenas um bônus”

Ganhador da etapa brasileira do Red Bull Manny Mania, campeonato de skate amador, se prepara para representar o Brasil no mundial e se profisionalizar em 2013

Bruno Capelas , iG São Paulo |

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"O que vale para mim é dar um rolê com os meus amigos", diz o campeão nacional do Red Bull Manny Mania

Entrar numa competição sem se preocupar com o resultado final. Esse parece ser o segredo do paulistano JP “Anjinho” Dantas , de 21 anos, vencedor da etapa nacional do Red Bull Manny Mania , campeonato de skate amador realizado em Belo Horizonte , no último mês. Em agosto, o skatista vai a Nova York disputar a final mundial, contra atletas de doze países diferentes.

“Fui lá, fiz um rolê legal e acabei vencendo”, diz Dantas sobre sua vitória no Manny Mania, onde competem apenas amadores e todas as manobras devem ser feitas em "manual": caso exista contato com o solo durante a manobra, ele deve ser feito apenas com as duas rodas de trás do skate. 

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"Para se profissionalizar, você tem que construir uma história", conta Dantas, que deve deixar o amadorismo em 2013

Paulistano do bairro da Lapa , o atleta começou a fazer suas manobras quando ainda era criança, no tapete da sala. “No meu aniversário de 9 anos, pedi um skate de aniversário. No dia, estava chovendo e fiquei andando na sala. Minha mãe não ficou brava e adorou quando eu aprendi a dar um ollie”, explica o skatista.

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Na entrevista a seguir, JP “Anjinho” Dantas fala sobre suas expectativas para o torneio nos EUA , explica seu jeito despreocupado de andar de skate e disserta sobre sua profissionalização no esporte, que deve acontecer no ano que vem. “Antes de virar profissional, você tem que construir sua história no skate. Acho que chegou a minha hora”, declara o atleta.

iG:Como foi vencer a etapa nacional do Red Bull Manny Mania?
JP Dantas: Foi “da hora”. Fui lá, fiz um rolê legal e acabou rolando.

iG: Qual é a expectativa de representar o Brasil na final mundial?
JP Dantas : Vão ter vários caras de fora para correr, acho que vai ser legal. A ideia é só andar de skate e, se rolar de vencer, vai ser bacana.

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iG: Do jeito que você fala, parece que o skate não é uma competição...
JP Dantas: Isso varia de pessoa para pessoa. Tem gente que é mais encanado em vencer sempre. Eu prefiro dar as manobras que eu gosto, dar um rolê com os meus camaradas, e tentar puxar o nível pra cima. Se eu vencer é apenas um bônus. Se eu chegar em segundo ou terceiro, fazendo as manobras que eu queria fazer, fico feliz do mesmo jeito. Prefiro que alguém elogie uma manobra minha do que ganhar um título. Curto mais a vida assim.

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"A pista do Manny Mania é bem legal, com várias entradinhas e cantoneiras para manual. Precisávamos de mais pistas assim no Brasil", reclama o atleta

iG: Você não pretende se tornar um profissional?
JP Dantas: Claro que sim. Virar profissional é algo demorado, meio conceitual. Você tem que criar um nome dentro do skate, construir uma história. Já está tudo acertado, ano que vem eu me profissionalizo. É legal ficar um tempo como amador, para você criar a sua própria identidade. Minha hora chegou agora.

iG: E como é a rotina de um atleta amador?
JP Dantas : Em termos de treino, é a mesma coisa. Aqui no Brasil tem bastante coisa para fazer. Existem muitos campeonatos amadores, e as revistas e os vídeos dão um destaque bacana para gente. Mas em termos de grana, às vezes é bem complicado. Graças a Deus, nunca precisei trabalhar e sempre tive apoio desde pequeno.

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Pela vitória no Manny Mania, JP recebeu a chance de ir a Nova York. "Premiações em dinheiro são algo antiético para os amadores", explica o skatista

iG: O que você acha das pistas no Brasil?
JP Dantas: Na verdade, eu não treino muito nas pistas.

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iG: E por quê não?
JP Dantas: Faço os meus treinos na rua, porque as pistas aqui no Brasil são bem ruins. Me adaptar a toda hora é bem complicado. Mas agora estão começando a construir pistas legais, em formato skate plaza, que parece uma pista de rua. Tem uma em Madureira, no Rio de Janeiro, que é tão boa que devia servir de inspiração para os próximos projetos brasileiros.

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iG: De onde veio o apelido Anjinho?
JP Dantas: Antigamente eu tinha o cabelo mais comprido e parecia bastante com um skatista profissional da época, que era o Eduardo “Anjinho” Borgoni . Aí não deu outra: o pessoal começou a me chamar assim e ficou.

iG: Que dica você dá para quem quer andar de skate?
JP Dantas: Busque vários amigos que queiram andar bastante. É o melhor jeito para você se divertir muito andando de skate.

Veja abaixo a performance que deu a vitória a JP Dantas em Belo Horizonte:

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