Wakeboard faz campanha para virar esporte olímpico em 2020

Conheça mais sobre o esporte e saiba como e onde praticá-lo no Brasil

Bruno Capelas |

Divulgação
O wakeboard concorre com o beisebol, o caratê e mais cinco esportes por uma vaga nas Olimpíadas de 2020

Quando se pensa em wakeboard, a primeira imagem que vem à cabeça é de um divertido esporte de verão, praticado na água e cheio de manobras radicais. Mas a modalidade, que surgiu nos Estados Unidos durante a década de 1980 como uma mistura entre o surfe e o esqui aquático, é coisa séria. Tão séria que hoje conta com cerca de 4 milhões de praticantes no mundo todo, tendo organizações em noventa países diferentes, comandadas pela Federação Internacional de Esqui Aquático e Wakeboard , ou IWWF, na sigla em inglês.

Atualmente, a IWWF organiza uma campanha para que o wakeboard se torne um esporte olímpico nos Jogos de 2020 , competindo com outros esportes como o beisebol, o caratê e a patinação. A escolha será feita em setembro de 2013, na próxima reunião do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Buenos Aires , onde também se decidirá a cidade sede da competição.

Divulgação
O Brasil tem duas medalhas de wakeboard nos Jogos Pan Americanos, conquistados por Marcelo Giardi, o Marreco

No Brasil, estimativas da “Revista Wake Brasil” apontam que cerca de 70 mil pessoas pratiquem o wakeboard. Pensando em popularizar o esporte, a Associação Brasileira de Wakeboard (ABW) resolveu investir em uma ação envolvendo a candidatura olímpica.

Siga o iG Jovem no Twitter

“Criamos uma plaquinha, a ‘ eu curto #wake2020’ , e nos campeonatos da modalidade aqui no Brasil, promovemos uma campanha nas redes sociais, incentivando as pessoas a compartilharem as fotos, com direito até a algumas promoções”, diz Mário Manzoli , presidente da ABW. Até o momento, cerca de 500 pessoas já tiraram fotos com a placa da campanha, que corre as etapas dos campeonatos regionais.

+ RADICAIS:   Kitesurfe vira esporte olímpico; conheça a modalidade
Guilherme Tâmega: “Atleta de ponta é uma das maiores riquezas de um país”

 O Brasil conta com bons antecedentes em competições do wakeboard. Nos Jogos Pan-Americanos , nos quais o esporte é modalidade oficial desde 2007, o wakeboarder Marcelo Giardi , o Marreco, já conquistou uma medalha de ouro (em 2007, no Rio) e outra de prata (em 2011, nos jogos de Guadalajara) para o país.

De barco ou no parque?

Existem duas maneiras de praticar o wakeboard. Na primeira delas a ser criada, o atleta, tem uma prancha presa aos pés e é içado por cabos unidos a um barco. “É o que a gente chama popularmente de andar ‘na marola’”, explica Mário Manzoli, presidente da Associação Brasileira de Wakeboard (ABW).

A outra variação é a dos cable parks. Nessa modalidade, o cabo que sai da prancha se prende a uma rede de cabos de aço, sustentado por várias torres, colocadas ao redor de um lago, onde existem obstáculos como rampas e corrimãos, utilizados pelos atletas para fazer manobras. “Se o wake virar um esporte olímpico, a competição será feita com o cable park”, avisa Gustavo Machado , wakeboarder paranaense de 19 anos.

Divulgação
O presidente da ABW, Mário Manzoli, posa com a plaquinha da campanha organizada pela entidade

Além de não depender de um piloto, o que poderia alterar os resultados de competições, a prática em cable parks é apontada como o futuro do esporte, por ser bem mais barata.

Em Jaguariúna , onde fica o maior cable park do país, uma hora de wakeboard sai em média por R$ 50. Para quem quiser andar “na marola”, por sua vez, é necessário ter ou alugar uma lancha . Uma hora de aluguel do barco custa entre R$ 150 e R$ 250. “Se um atleta tiver o apoio de um parque para praticar o esporte, ele pode treinar sem gastar praticamente nada”, opina Manzoli.

Dados da IWWF mostram que o número de cable parks tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, popularizando o wakeboard. Em 2003, havia cerca de 200 instalações pelo mundo. Até o ano passado, esse número havia duplicado, chegando a 415 parques. No Brasil, além de Jaguariúna, existem cable parks pequenos espalhados pelo país, localizados no Distrito Federal , no Amazonas , no Ceará e em São Paulo .

Divulgação
Gustavo Machado, de 19 anos, é uma das promessas do wakeboard nacional

Primeiros passos

“Para começar a praticar o wakeboard, é preciso só ter força de vontade. Apesar de ser considerado radical, o wake é bem mais fácil que o skate ou surfe. Tanto uma criança de 5 anos quanto alguém de 50, 60 anos pegam o jeito bem rápido”, diz o presidente da ABW. 

Curta o iG Jovem no Facebook

Mário recomenda que os primeiros passos no esporte sejam feitos em uma escola ou em um cable park . “Quando você começa, o ideal é que você não compre equipamento, para não gastar sem saber se vai gostar da coisa”, diz Mário.

LEIA TAMBÉM:  Brasileiros mostrarão break "com sabor diferente" no México
Dead Fish comemora 20 anos de carreira com DVD ao vivo

Para quem se entusiasmar, um aviso: o preço dos equipamentos é um pouco salgado. Uma prancha, que vem com uma bota acoplada para os pés, custa entre R$ 1000 e R$ 3000, e o colete salva-vidas, entre R$ 100 e R$ 400.

Quem quiser se especializar na prática do “cable” terá ainda que investir em um capacete, que fica entre R$ 80 e R$ 200. “O capacete ajuda a proteger o atleta do contato com os obstáculos colocados ao longo do lago, como rampas e corrimãos”, explica Gustavo Machado.

Perspectivas

O presidente da ABW é crítico em relação à realidade de um wakeboarder no Brasil. “Hoje é difícil viver só do wakeboard. Nem o Marreco, que é o nosso maior nome do esporte, consegue isso. No Pan, nas duas vezes que fomos, trouxemos medalhas, mas só recebemos do COB a passagem e o uniforme”, conta Manzoli. Gustavo Machado, por sua vez, que conta com patrocínio, avalia uma melhora nesse panorama. “Conversando com os veteranos, percebo que a situação de hoje é bem mais tranquila que a de três anos atrás”, explica o paranaense.

A candidatura olímpica parece ser a grande esperança do esporte. “Se o wake entrar nos Jogos de 2020, creio que as empresas vão se interessar mais pelo esporte”, crê Mário Manzoli. Já Gustavo Machado traça planos para o futuro: “Ainda tem muito tempo pela frente, mas quero chegar em 2020 como um dos principais competidores do mundo. O Brasil já ganhou duas medalhas no Pan, quem sabe não conseguimos alguma coisa já na primeira Olímpiada?”, espera o wakeboarder.

Veja abaixo algumas manobras do wakeboard:

CONTINUE LENDO:  Lembre os filmes que viraram séries de TV
Surfe "a remo" vira febre e ganha adeptos famosos. Conheça!

Notícias Relacionadas


    Mais destaques

    Destaques da home iG