Restart: "O rock nacional está carente"

Banda fala sobre o disco "Geração Z", carreira internacional, mercado fonográfico e tranquiliza os fãs: "o happy rock continua"

Gustavo Abreu, iG São Paulo |

Gustavo Abreu
Thomas, Pe Lanza, Koba e Pe Lu: o happy rock continua!

Sem dúvida Restart foi a banda que mais tocou no Brasil este ano. Com disco novo, produtos inéditos e até mesmo carreira internacional, o grupo deixa sua marca na música brasileira à frente do happy rock, estilo próprio que os integrantes Pe Lanza , Pe Lu , Koba e Thomas criaram para satisfazer um anseio próprio de reascender o rock no País. Não à toa escolhemos eles para nossa última entrevista do ano no iG Jovem , onde eles abrem o jogo sobre o suposto fim da banda e afirmam que “o rock nacional está bastante carente”.

Daniel Farias/ Fotoarena
Se um dia (a banda) acabar ninguém vai acreditar. Mas nós vamos ser os primeiros a contar para os fãs
Quando a reportagem encontrou a Restart em seu estúdio de gravação na Vila Maria, zona leste de São Paulo, um detalhe chamava a atenção nos rapazes: estavam todos vermelhos, queimados de sol. “É que a gente estava ontem na praia gravando nosso clipe”, explica o vocalista Pe Lanza enquanto todos se acomodavam na sala.

CURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK

Assim logo ficou claro que a banda não vai terminar, nem pretende tão cedo -- eram apenas rumores que circulavam pela internet depois de uma piada “1º de abril”. “É a mesma coisa quando falam que eu morri. Toda semana eu ‘morro no Twitter’ ou a gente briga”, se diverte o líder do grupo.

SIGA O IG JOVEM NO TWITTER

Apesar das chacotas, a nação colorida pode ficar tranquila: o happy rock continua. “Ele ainda é nosso estilo, é o que gostamos de fazer e temos liberdade pra fazer o que a gente quiser musicalmente”, explica Pe Lanza. As roupas mais sóbrias que os quatro usaram para as fotos do disco “Geração Z” fazem parte apenas da temática que criaram para este momento da banda.

A seguir, leia o bate-papo com a Restart. Eles falam sobre o filme da banda, mercado musical, carreira internacional e a tal geração Z!

iG: A Restart vai ou não vai acabar?
Pe Lanza:
Não, não (risos)! Rolou esse boato, a gente nem sabe de onde essas coisas começam. É a mesma coisa quando falam que eu morri. Toda semana eu “morro no Twitter” ou a gente briga. No mesmo dia que começaram a falar isso, nós estávamos gravando as últimas cenas do clipe de “Menina Estranha”. A galera ficou perguntando “que história é essa?”, mas viram que a gente estava junto, trabalhando. As pessoas falam mais do que devem. Se um dia acabar de verdade ninguém vai acreditar. Mas nós vamos ser os primeiros a contar para os fãs.

iG: O que é a “Geração Z”?
Pe Lanza:
A gente tinha um projeto de lançar esse disco mostrando uma conectividade diferente. Depois que gravamos, começamos a ler matérias sobre conectividade e essa geração que ainda não completou 18 anos. É uma galera que se conecta muito rápido e encontra informações com mais facilidade. Tentamos mostrar essa conectividade com o público no disco: disponibilizamos ele inteiro na internet antes de ir pras rádios ou para as lojas. Fizemos o que o público espera que as bandas façam hoje e todas deveriam.

Divulgação
"Geração Z" foi lançado no final de novembro. Nas fotos do disco, nada de cores fortes

iG: Com as fotos do disco, os fãs ficaram preocupados porque vocês não estavam de roupas coloridas. Vocês estão ficando cansados disso?
Koba:
Não, isso foi só um dia. A gente sempre teve uma preocupação de criar temas e mensagens pelas nossas roupas. Tanto que em diferentes programas, usamos diferentes temas... Dourado, branco. Nosso visual sempre teve uma carga, uma mensagem. As calças coloridas transmitem nosso espírito de moleque, de felidade. No contexto do disco “Geração Z”, pra falar de interatividade, usamos roupas escuras e mais sóbrias, mas não vamos parar de usar as cores.

iG: O som de vocês também está diferente?
Pe Lu:
Do primeiro disco pra esse, passamos por muita coisa. Foram apenas três anos, mas muito intensos. Conquistamos coisas que artistas demoram uma carreira inteira para conseguir. É natural que o som vai sempre amadurecer. É um disco mais diversificado: tem ska, tem rock’n’roll e tem até country, balada.

iG: A histeria do happy rock continua?
Pe Lanza:
O happy rock ainda continua. Ele ainda é nosso estilo, é o que gostamos de fazer e temos liberdade pra fazer o que a gente quiser musicalmente. A histeria vai muito do momento que as pessoas sentem quando escutam as músicas. A galera demora um tempo para se acostumar com disco novo, mas vão sentindo e amadurecendo junto com a gente.

iG: Em que momento vocês perceberam o potencial comercial da Restart?
Koba:
Pra começar, isso nunca foi algo pensado. Não somos uma banda montada. Nós tocamos juntos desde pequenos, nossas roupas nunca foram pensadas por um marketeiro, mas a gente sempre soube do potencial comercial. Quando fizemos nosso primeiro show como Restart, a gente já usava calça colorida. E o mais legal: a gente não tocava na rádio, nem tinha empresário mas os fãs já sabiam cantar nossas músicas e se vestiam como a gente. Percebemos que tínhamos fãs que nos seguiam e que fariam tudo que fizéssemos. Esse é o potencial comercial e a gente sempre soube desde o começo. Fizemos o processo inverso da maioria das bandas, porque viemos dos fãs, já nascemos com essa carga e esse potencial.

Gustavo Abreu
Restart: "O rock nacional está bastante carente"

iG: O que vocês acham do rock no Brasil atualmente?
Pe Lanza:
O rock nacional está bastante carente. Conhecemos há pouco tempo o Evandro Mesquista, que ficou contando da época da Blitz, como rolava e é muito parecido com o que a gente vive hoje. Mas não é normal hoje no Brasil viverem o movimento do rock, como quando existiam várias bandas, rolavam festivais a rodo... Acho que isso não existe desde o Raimundos e Charlie Brown. Teve o emo também, mas hoje o rock está carente. Não só no Brasil. Outro dia vi o Dave Grohl falando “não se esqueçam do rock”. A gente fica carente, não se vê banda de rock surgindo como tem artista sertanejo brotando do chão. A gente precisa de mais bandas. Uma andorinha só não faz verão.

Daniel Farias/ Fotoarena
Restart posa para o iG Jovem antes de seu show em Brasília
iG: Qual a percepção do mercado musical que vocês têm?
Pe Lu:
Quando começamos, aos 16 anos, nenhuma. Nem da vida, menos ainda do mercado. Mas uma coisa que chamou a atenção de nossos empresários na época, e todo artista deve ter, é uma estrela que torna ele diferente dos outros. No nosso caso foi nosso jeito de falar com o público, a roupa, o cabelo. A gente era realmente diferente. A partir da hora que assinamos o contrato, surge o papel de um diretor artístico de falar: tem que falar desse jeito, não pode falar palavrão na TV, o show tem que ser assim...

LEIA ENTREVISTA COM GIOVANNA LANCELLOTTI, ELEITA A IGIRL DO ANO

iG: Mas alguma vez vocês perderam as rédeas das coisas?
Pe Lu:
Não porque construímos tudo isso. Somos abençoados porque temos o próprio escritório, escolhemos tudo. Fazemos as capas, escolhemos o repertório com os empresários, participamos de reuniões. Existe uma cumplicidade e se criou um formato muito próprio. E os fãs percebem que tem nossa mão de verdade, não é algo programado.

iG: E como pintou a carreira internacional?
Pe Lanza:
A gente nunca imaginou que nosso trabalho chegaria tão rápido a outros países. A primeira vez que fomos pra Argentina, descemos no aeroporto e os empresários falaram: tem uma galera esperando vocês. Achamos que tinha umas três pessoas, mas tinha mais de cinquenta. E a gente nem tinha CD em espanhol gravado. Não sei explicar como rolou, foi louco.

iG: Quando vai sair o filme?
Pe Lu:
O filme deu uma parada porque entrou numa fase de captação de patrocínio. Isso demora um tempo e pra não ficar sem fazer nada acabamos gravando o disco, agora estamos divulgando. O fime não foi cancelado mas está sem previsões temporariamente. O roteiro está pronto, mas não começamos a captar. Fizemos uma leitura, mas daí até gravar vai mudar muita coisa, então não podemos adiantar nada.

iG: O que 2011 significou pra banda?
Koba:
Conseguimos coisas que a gente nem sonhava. Ou se sonhava, achava que ia demorar muito mais, como foi o lance da carreira internacional, a indicação ao EMA (da MTV Europa). Tocamos no Luna Park, que é o Madison Square Garden da América Latina. São coisas que fizeram esse ano espetacular. Mais que ter novas conquistas para a banda, conquistamos coisas para o próprio país, mesmo que muita gente não reconheça. Desse jeito acho que as pessoas viraram mais os olhos para a música brasileira e ficamos honrados com isso.

Leia tudo sobre: músicacultura teenrestartretrospectiva2011

Notícias Relacionadas


    Mais destaques

    Destaques da home iG