Dos dentes podres, MC Nego do Borel vira hit e ganha R$ 150 mil por mês

Por Natália Eiras , iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Nascido e criado no morro do Borel, na Tijuca, no Rio de Janeiro, o cantor de 21 anos não larga o Galaxy S4, mas acredita que dinheiro não é tudo na vida. “O que importa é o coração, o caráter”

Divulgação
MC Nego do Borel nasceu e foi criado no morro do Borel, na Tijuca

MC Nego do Borel não é diferente de outros representantes do funk ostentação. Nos videoclipes, ele dirige uma Mercedes, usa roupas de marca, acessórios de ouro e vive cercado por mulheres. Esses, inclusive, são os assuntos mais recorrentes em suas músicas. A grande diferença do cantor de 21 anos, criado no morro do Borel, na zona norte do Rio de Janeiro, está no bolso: um smartphone Galaxy S4 que ele usa para fazer vídeos engraçadinhos. Foi com eles que Nego caiu no gosto de universitários cariocas. “Eu zoo todo mundo. Um dia ainda vou tomar um soco na cara”, ele ri em entrevista ao iG.

LEIA MAIS: MC Guimê: “Fama e dinheiro atraem olhares"
20 bandas recriadas em LEGO

Reprodução/Instagram
Ele ficou famoso ao fazer vídeos engraçadinhos no Instagram

Hoje o MC, nascido Lenon Maycon Viana Gomes, pode ser considerado um ídolo -- seu vídeo “Os Caras do Momento” possui 28 milhões de visualizações, 10 milhões a mais que “Beijinho no Ombro”, de Valesca Popozuda.

Siga o Twitter do iG Jovem

Enquanto ídolos teen como Justin Bieber usam o Instagram para “pagar de gatinho” mostrando os músculos, o funkeiro, que mal consegue conversar com a reportagem por estar sempre ligado no Whatsapp, prefere fazer microvídeos pregando peças nas pessoas e zoando os próprios amigos.

Com um humor que lembra muito o do rapper Tyler The Creator ou até Nicki Minaj, ele não hesita em seguir esta linha nem mesmo em videoclipes como “Diamante da Lama”. “Não tenho medo que me achem bobo, principalmente as mulheres”, ele fala. “Continuo fazendo os meus vídeos para ganhar o meu dinheiro. Depois penso nelas. Elas são consequência”, completa.

E MAIS: Mahmundi: "Quero fazer música pro mundo"

Desde a época que era um “menino muito pobrinho que só pensava em bumbum”, o cantor tinha duas características presentes até hoje: a tiração de sarro e o amor pela música. “Perturbava todo mundo. Ficava cantando na frente de todos e não estava nem aí”, conta o artista. “Nunca tive vergonha, sempre fui carismático”.

“Minha mãe mandava eu trabalhar”
O MC começou a brincar de funkeiro quando tinha 10 anos. Aos 16, já sabia que queria seguir o mesmo caminho que sua grande inspiração, o MC Menor da Chapa. “Eu deixava de estudar para escrever música”, o rapaz conta. “Minha mãe mandava eu trabalhar, fazer algo da vida, e eu falava: ‘Calma, mãe, eu estou sabendo das fitas, quando estourar vou ganhar dinheiro’”, explica.

Divulgação
O cantor de 21 anos estourou com o vídeo "Os Caras do Momento"

Ele viu que toda sua dedicação estava dando certo quando “Os Caras do Momento” estourou no YouTube. Daí, emendou com apresentações na TV (“Conhecer a Xuxa foi uma emoção incrível. Ela é show de bola”), um contrato com a gravadora Sony Music e a gravação de um DVD no dia 7 de abril, com a participação do Naldo. Atualmente, a agenda de shows conta com cinco apresentações por noite. Tanto trabalho lhe rende R$ 150 mil por mês.

“Só Deus sabe pelo que passei. Aconteceu tanta coisa comigo, tenho tanto passado, que mal consigo me lembrar”, admite, claramente emocionado. “Passei fome, tinha os dentes tudo podre antes de colocar o aparelho…”, enumera.

Com a nova renda, ele conseguiu comprar carro para ele, um para a mãe e uma casa, além de realizar um de seus maiores desejos de criança. “Sonhava em ter um computador dentro do quarto. Mas agora ele fica aí encostado, faço tudo no celular”, fala Nego.

O grande desejo de consumo, porém, ainda não foi alcançado, mas está muito perto disto. “Quero tirar a minha família do morro. Vou comprar uma casa na Tijuca, porque foi aqui que eu nasci e cresci”. Ainda assim, ele não acredita que dinheiro é tudo na vida: “Às vezes ele pode trazer mais tristeza do que felicidade. O que importa é o nosso coração, o nosso caráter.”

CONTINUE LENDO: Avril Lavigne confirma três shows no Brasil
Como se iniciar na música eletrônica, segundo produtores brasileiros

Leia tudo sobre: funkostentaçãomúsica

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas