Pollo: “Os Racionais falavam de violência, mas nós queremos falar de amor”

Sucesso na web com os vídeos de “Piritubacity” e “Vagalumes”, dupla paulistana de rap prepara lançamento do primeiro disco, “Vim Pra Dominar o Mundo”

Bruno Capelas , iG São Paulo |

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"Não temos fórmula de sucesso, mandamos bem porque fazemos tudo com o coração", diz Adriel (à esquerda)

Nos últimos meses, as rádios brasileiras ganharam uma luz diferente com a música “Vagalumes” , da dupla de rappers Pollo . No YouTube, o clipe oficial da música foi lançado em agosto e, quatro meses depois, conta com 11 milhões de execuções. Agora em dezembro, Adriel de Menezes  e  Luiz Tomim , os rapazes de 21 anos que compõem a banda de Pirituba , bairro da zona Norte de São Paulo, se preparam para lançar seu primeiro disco.

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O nome do disco deixa clara as intenções da Pollo: “Vim Pra Dominar o Mundo” . “Pollo, em espanhol, significa galo, que na nossa gíria é o animal que canta no seu território, que manda no seu espaço. É isso que nós queremos fazer”, conta Adriel em entrevista ao iG .

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"Se você não der o seu disco para download, ninguém vai no seu show", garante Adriel (à esquerda), acompanhado de Kalfani (à frente) e Tomim (à direita)

Surgida em 2010, como uma brincadeira dos dois amigos que não sabiam bem o que queriam da vida, a banda teve uma ascensão vertiginosa. “Nosso primeiro clipe, “Trama” , teve 10 mil acessos no YouTube só no primeiro dia. Até hoje não sabemos porque fazemos tanto sucesso, mas acho que é porque não temos uma fórmula mágica, nosso som vem do coração mesmo”.

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Nos palcos, Adriel e Tomim são auxiliados pelo garoto Kalfani Minkah, de 15 anos, filho de KL Jay , um dos quatro integrantes do Racionais MCs . Apesar da influência, Adriel garante que a Pollo faz parte de uma nova geração do rap nacional. “Os Racionais falavam sobre os problemas e a violência. Nós somos parte de outro momento, queremos falar sobre as coisas boas e o amor.”

Na entrevista a seguir, Adriel fala mais sobre a origem da banda, seus primeiros shows e antecipa detalhes de “Vim Pra Dominar o Mundo”, que deve ser disponibilizado para download nas próximas semanas.

iG: Quando e como surgiu a Pollo?
Adriel: Eu fazia rimas na internet, brincando sozinho, e um dia resolvi chamar o Tomim para fazermos alguma coisa juntos. Começamos a gravar algumas músicas no meu quarto, sem contar para ninguém, mas a galera descobriu e começou a incentivar. Isso foi em 2010. Um dia, resolvemos gravar o clipe da nossa primeira música, “Trama”. Tive de vender meu carro, um Polo 2004, para gravarmos o clipe em um estúdio profissional, e acabamos estourando com essa música.

iG: E o nome do carro batizou a banda?
Adriel: É um dos significados, né? Mas o principal é que pollo, em espanhol, significa frango ou galo. Onde a gente mora, galo tem um significado muito básico, que é aquele cara que canta no seu território, que manda no seu espaço. E é isso o que a gente quer fazer, cantar no nosso espaço!

iG: E de “Trama” até hoje, o que mais rolou de muito legal com vocês?
Adriel: Depois de “Trama”, que deu 10 mil acessos no YouTube no primeiro dia, a gente fez o clipe de “Piritubacity”, que bombou ainda mais. E aí a galera começou a pedir shows nossos, e eu nunca tinha subido num palco antes. Marcamos o show, e tivemos de fazer três músicas em uma semana para ter o que cantar lá - e mesmo assim, foram 600 pessoas.

iG: E agora vocês estão prestes a lançar um disco, “Vim Pra Dominar o Mundo”. Dá para dar alguns detalhes sobre o trabalho?
Adriel: A gente vai lançar o disco no sábado (8), e ele vai ter onze faixas, incluindo as que todo mundo já conhece, como “Vagalumes” e “Piritubacity”. São três músicas inéditas, vai ter participação do Terra Preta. Todas as canções foram remasterizadas para o CD, e vamos lançar um clipe novo, da música “Meu Bonde”.

iG: E como são as músicas novas? Do que elas falam?
Adriel: Basicamente, nós falamos de amor, de meninas, do nosso bairro, falamos mal da galera que fala mal da gente. É um disco com a nossa cara, que mostra o que a gente sente. Não tivemos uma mira, quisemos fazer o que a gente gosta, e acho que todo mundo vai gostar porque é algo feito com o coração.

iG: Vocês pretendem lançar o disco para download gratuito na internet?
Adriel: Vamos lançar o disco com a nossa produtora, a Maximo, mas com certeza vamos colocá-lo para download. Hoje em dia, é algo mais que necessário. Visar lucro com venda de CD é difícil. Todo mundo vai lá e ouve a nossa música no YouTube, nosso sucesso hoje é todo por causa do YouTube, não tem como você evitar o download. Se você quer que a galera vá no teu show, tem que deixar baixar mesmo.

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iG: Como surgiu a inspiração para “Vagalumes”, parceria de vocês com o Ivo Mozart?
Adriel: O Ivo Mozart é daqui de Pirituba, e “Vagalumes” originalmente era uma música dele. Um dia nós nos juntamos para escrever algo juntos, e em quinze minutos fizemos a letra nova. Deixamos a produção toda na mão dele, e fizemos um clipe rápido para essa música. Não esperávamos que ela fosse conseguir 11 milhões de views em apenas quatro meses. A gente não sabe bem qual o motivo do nosso sucesso, mas acho que é porque nós não temos uma fórmula mágica do sucesso, nem empresários milionários investindo muito.

iG: Vocês começaram a aparecer em um momento que o rap nacional está muito forte, com nomes como o Criolo e o Emicida, mas vocês rimam de uma maneira diferente da deles. Como é isso para vocês?
Adriel: O Criolo e o Emicida surgiram antes da gente, porque nós nos inspiramos muito neles. Além disso, fazemos parte de uma geração diferente. Não somos só rappers, usamos o rap como base para fazer música para todo mundo. Tentamos falar sobre coisas que o rap não falava. Gostamos de chamar o som que a gente faz de Pollo, algo que ninguém nunca fez antes senão nós mesmos.

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Surgida em 2010, a banda está lançando seu primeiro disco, "Vim Pra Dominar o Mundo"

iG: O DJ de vocês, o Kalfani, é filho do KL Jay, do Racionais MCs. Os Racionais são uma influência forte para qualquer rapper brasileiro, ou isso está superado?
Adriel: Os Racionais são uma lenda do rap brasileiro, e ter o Kalfani conosco é um presente de Deus. Ele entrou na Pollo antes de eu saber que ele era filho do KL Jay, mas hoje o KL Jay apoia a gente, e fica preocupado com a nossa carreira. E é muito bom saber disso, mesmo com eles tendo outras vibes. Os Racionais falavam sobre os problemas, a violência enquanto nós queremos falar sobre as coisas boas, sobre o amor.

iG: Vocês começaram a banda sem subir nunca ter subido num palco, mas hoje estão lotando os shows. Como são as apresentações de vocês?
Adriel: Estar no palco é uma doideira. A galera arrepia mesmo, e quem já foi aos nossos shows sabe. É uma energia muito boa. Os nossos shows estão cheios de gente, e temos muito contato com os fãs. Para nós, artistas e fãs são iguais. Não tem porque você não ter contato com a galera que te ama e que quer ouvir o que você faz. Acho que tudo vai ficar mais fácil quando os artistas perceberem isso.

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