Transmissor: “Não faz sentido banda pequena cobrar por download”

Após ter o guitarrista do Maroon 5 participando em seu segundo disco, banda mineira lança novo clipe e diz que download gratuito é o melhor jeito de tornar suas músicas conhecidas

Bruno Capelas , iG São Paulo |

Divulgação
"Só ganhamos depois que damos a nossa música para o público", explica Leonardo Marques (à direita na foto)

Quando começaram sua carreira na música, o guitarrista e vocalista Leonardo Marques e o baixista Thiago Corrêa fizeram parte da banda Diesel, que chegou a abrir para o Red Hot Chili Peppers no Rock in Rio 2001. Logo depois, sob o nome Udora, a banda se mudou para Los Angeles e assinou contrato com a J Records em 2003, gravadora onde começaram Alicia Keys e Maroon 5. “Tudo com o Udora foi muito legal, mas depois de três anos, eu e o Thiago estávamos com saudade do Brasil e com vontade de cantar em português”, conta Leonardo em entrevista ao iG.

O resultado foi a banda Transmissor, que lança nessa terça-feira (9) o clipe de “Bonina”, uma das faixas de seu segundo disco, “Nacional”, lançado em 2011, e que contou com a participação especial do guitarrista do Maroon 5, James Valentine.

Divulgação
"Nacional", de 2011, é o segundo disco da banda, e teve participação de James Valentine, do Maroon 5

“Nós ficamos amigos quando morávamos em Los Angeles, e o James é um grande fã da música brasileira. Quando fomos gravar o nosso segundo disco, o chamei para tocar com a gente, e ele fez um solo maravilhoso em ‘Traz o Sol Pro Meu Lado da Rua’”, conta o vocalista.

Curta o iG Jovem no Facebook

Influenciadas por Beatles, Los Hermanos e Milton Nascimento (de quem gravaram “Nada Será Como Antes”), as músicas da Transmissor estão cheias de versos apaixonados e refrões cativantes, que são executados por Leonardo, Thiago, Jennifer Souza (voz, violão e ukelele), Henrique Matheus (guitarra) e Pedro Hamdan (bateria).

“Quando voltamos para Belo Horizonte, em 2006, já depois de ter feito alguns shows como Transmissor na Califórnia, eu e o Thiago nos reencontramos com amigos de infância e fechamos a formação da banda. No fim daquele ano, já tínhamos feito o nosso primeiro show e dois anos depois, gravamos nosso primeiro álbum, ‘Sociedade do Crivo Mútuo’.”, explica Leonardo.

+ MÚSICA: SILVA: “Gravar música em casa é o trunfo da minha geração”
O Terno lança álbum de estreia com ares sessentistas

Na entrevista a seguir, Marques fala sobre o trabalho de sua banda, a amizade com James Valentine e explica os planos para um terceiro disco do Transmissor. Além disso, ele comenta a cena mineira e explica a importância de disponibilizar suas músicas gratuitamente pela internet. “Outro dia, tocamos em Rondônia e toda a plateia cantava as músicas. Se não tivéssemos colocado o disco para download de graça, acho que isso não teria acontecido”, diz Leonardo.

iG: Quem teve a ideia para o vídeo de "Bonina", que vocês estão lançando agora?
Leonardo Marques: A ideia foi toda do diretor do clipe, o Marinho Antunes, que já fez outros vídeos com a gente. Gostamos muito do resultado final - ele se inspirou bastante na letra da música, que fala sobre fotografias e memórias. Espero que todo mundo assista e goste do vídeo.

Divulgação
Com pitadas de Beatles e música brasileira, as músicas do Transmissor são cheias de versos apaixonados e refrões cativantes

iG: Uma das curiosidades do “Nacional” é a participação do James Valentine, guitarrista do Maroon 5, em “Traz o Sol Pro Meu Lado da Rua”. Como foi esse contato?
Leonardo Marques: Eu e o Thiago conhecíamos o James da época de Los Angeles. No começo de carreira, o Udora e o Maroon 5 eram parte da mesma gravadora. Depois disso, eu fui trabalhar em uma loja de guitarras em Hollywood e o James sempre ia lá para bater papo. Ele chegou a ver o nosso primeiro show em Los Angeles, e é um grande fã da música brasileira. Quando fomos gravar o “Nacional”, convidei-o para gravar o disco e ele aceitou de prontidão, fazendo um solo maravilhoso pra essa música. Ficamos muito felizes em ter um cara talentoso como ele ao nosso lado.

iG: E o sucessor do “Nacional”, já está encaminhado?
Leonardo Marques: Estamos na fase de cada um de nós preparar suas próprias músicas e apresentar para os outros na banda. Devemos começar a gravar a pré-produção do disco em janeiro, e objetivo é lançar esse trabalho até o meio de 2013. Além disso, queremos ver se fazemos um som um pouco mais roqueiro nesse disco.

iG: Vocês gravaram o “Nacional” com o apoio de um selo, mas disponibilizaram o disco para download na internet. Qual é a lógica disso?
Leonardo Marques: Colocamos o disco na internet com uma qualidade legal para download, que é para as pessoas ouvirem mesmo as nossas músicas. À medida que as pessoas gostam do trabalho, elas compram o disco, uma camiseta, vão aos nossos shows. Só ganhamos depois que damos a música para o público ouvir. Não faz sentido para uma banda do nosso porte cobrar pelas músicas. Outro dia, nós fomos tocar em um festival em Rondônia, e todo mundo na plateia cantava as nossas canções. Acho que isso não aconteceria se tivéssemos feito a coisa de outra maneira.

Divulgação
Antes de tocar no Transmissor, Leonardo Marques era do Diesel, que chegou a abrir um dos dias do Rock in Rio 2001

iG: Apesar de ser próxima do eixo Rio-SP, Minas Gerais parece distante quando se fala do mercado de música nacional. Você sente isso?
Leonardo Marques: Sim. E olha que a cena mineira nunca esteve tão boa - pelo menos em Belo Horizonte. Hoje, toda semana tem shows das bandas da cidade, e cada vez mais gente faz discos e começa a tocar por aí. O próximo passo da gente é tentar expandir ao máximo possível e sair daqui também. Não sei explicar como é essa barreira entre Rio, São Paulo e o resto do Brasil, nem como a gente vai chegar nesses lugares da mesma maneira que em Minas Gerais. Acho que tem muito a ver com a imprensa também.

Siga o iG Jovem no Twitter

iG: E que bandas você recomenda de Minas Gerais?
Leonardo Marques: Gosto muito do trabalho da Graveola e o Lixo Polifônico, que tem uma proposta bem diferente. Tem o Dead Lover’s Twisted Heart, uma banda que acabou de lançar um EP em português com a participação do Odair José, tem o Fusile, e muita gente boa que ainda não lançou discos. De fora daqui, gosto muito do Fábio Góes, do Cícero, que fez um disco muito bonito, e da Maglore, uma banda da Bahia bem legal.

LEIA MAIS: Apanhador Só faz sucesso tocando instrumentos de sucata
Prestes a gravar novo disco, Vanguart comemora vitória como melhor banda no VMB

iG: A Diesel, banda na qual você e o Thiago Corrêa tocavam, chegou a se apresentar no Rock in Rio 2001. O que mudou na música de lá para cá?
Leonardo Marques: Quase tudo. Naquela época, ninguém da banda tinha computador, nós não baixávamos música, a cena independente não tinha apoio das leis de incentivo. O público era a força da coisa. Além disso, o sonho era diferente: nós fomos para os EUA, assinamos com um selo, tivemos um contrato, fizemos uma turnê por lá com estrutura e tudo mais. E depois isso mudou: quando voltamos para cá, as coisas estavam bem diferentes. Existe em BH uma cena forte de música autoral, e acho que os objetivos agora são outros. A música tem uma velocidade e uma força diferente hoje em dia, todo mundo faz discos, produz bastante, tem vários álbuns debaixo do braço.

iG: E dá para viver apenas do que vocês ganham com o Transmissor hoje?
Leonardo Marques: Não dá para viver só da banda, mas dá para fazer muita coisa. Pagamos quase tudo com a nossa música, e continuamos trabalhando com música de outros jeitos. Acho que esse é um caminho que vai crescer e se fortalecer nos próximos trabalhos. Quem sabe, quando estivermos gravando nosso quarto ou quinto disco já dê para ter uma tranquilidade de realmente pensar só na música.

Assista ao clipe de "Bonina":

CONTINUE LENDO: À flor da pele: veja as tatuagens das celebridades teen!
Lucas, do Fresno: 'Se eu pudesse, mandaria Russomanno para o espaço'

Leia tudo sobre: TransmissorclipemúsicaentrevistaMaroon 5

Notícias Relacionadas


    Mais destaques

    Destaques da home iG