Vivendo do Ócio comemora seis anos de rock com duas indicações ao VMB

Com participação do duo Agridoce, banda baiana concorre a Melhor Música e Melhor Disco na premiação da MTV brasileira

Bruno Capelas , iG São Paulo |

Divulgação/Ricardo Calabro
"Ter sido indicado por melhor disco e melhor música é o reconhecimento de um trabalho enorme", diz Jajá Cardoso

Em 2006, quatro jovens baianos com muito tempo livre resolveram montar uma banda. Dois discos, dezenas de shows no exterior e seis anos depois, a Vivendo do Ócio pode ser considerada um dos principais nomes de sua geração no rock brasileiro. “Montamos uma banda apenas para nos divertir, sem pensar que faríamos parte do cenário nacional. É muito legal ter chegado aonde nós chegamos”, diz o vocalista Jajá Cardoso em entrevista ao iG.

Recentemente, a banda colheu mais frutos de seu trabalho: duas indicações ao VMB, um dos troféus mais importantes da música brasileira. Na premiação, que acontece no dia 20 de setembro, o grupo concorre a Melhor Disco, por “O Pensamento É Um Ímã”, lançado no início de 2012, e Melhor Música, “Nostalgia”, que conta com a participação de Pitty e Martin, do duo Agridoce.

“Foi demais para nós ter sido indicados ao VMB, especialmente depois de ter vencido [na categoria] Aposta MTV em 2009. [Voltar ao prêmio] é o reconhecimento de um trabalho enorme, com muito tempo de criação e gravação”, comenta o vocalista, que é escudado nos palcos por Luca Bori (baixo e vocal), Davide Bori (guitarra) e Dieguito Reis (bateria).

Divulgação\Ricardo Calabro
"Em Salvador, tem uma hora na qual as bandas não têm mais para onde crescer", comenta o vocalista da Vivendo do Ócio

Com apresentação marcada no programa Canja da TV iG para o dia 13 de setembro, o homem à frente da Vivendo do Ócio revela abaixo como é fazer rock na terra do axé e dá dicas de bandas baianas que merecem atenção.

iG: Como surgiu a Vivendo do Ócio?
Jajá Cardoso: Foi em 2006. Eu e o Luca esávamos todo nosso tempo livre pra fazer música e acabamos nos juntando com um baterista pela internet e o Davide, irmão do Luca, entrou pra banda também. Em 2008, rolou o GAS Sound, que era um festival para bandas de garagem em todo o Brasil. Vencemos a seletiva de Belo Horizonte, e depois vencemos o festival, ganhando um contrato com a Deck. Foi desse contrato que saiu o nosso primeiro disco, “Nem Sempre Tão Normal”, de 2009.

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iG:De onde surgiu o nome "Vivendo do Ócio"?
Jajá Cardoso: O nome tem muito a ver com a época em que formamos a banda. Certo dia, eu estava conversando com o Luca pela internet, tentando achar um nome para o grupo, e no nick dele estava escrito “vivendo do ócio”. Ele sugeriu, e eu achei que tinha tudo a ver, mesmo não sabendo o que significava “ócio” direito. É um nome um bocado pretensioso, mas é isso que a gente faz.

iG: Como é ser indicado ao VMB?
Jajá Cardoso: Foi demais para nós. Tivemos uma indicação em 2009, e vencemos como Aposta MTV. Ter sido indicado por melhor disco e melhor música é muito importante. É o reconhecimento de um trabalho enorme, com muito tempo de criação e de gravação.

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iG: No começo do ano, vocês lançaram seu segundo disco, “O Pensamento é Um Ímã”. O que esse disco traz de diferente em relação ao primeiro trabalho de vocês?
Jajá Cardoso: Mudou bastante. As músicas do primeiro disco foram feitas ainda em Salvador, com cada um vivendo sua vida. Já as do “O Pensamento É Um Ímã” foram compostas aqui em São Paulo, quando nós estávamos morando juntos. São músicas mais coletivas, com experiência de shows e de estrada juntos.

iG: A Pitty e o Martin, do Agridoce, participam em “Nostalgia”, que está concorrendo ao VMB como Melhor Música. Como foi esse contato entre as duas bandas?
Jajá Cardoso: A gente vinha meio que namorando com eles há um tempo para fazer alguma coisa juntos. Quando surgiu essa oportunidade, foi muito bacana. Eles ouviram a música no estúdio com a gente, e se emocionaram muito com ela. Acabou sendo natural. A Pitty faz um backing vocal lindo, e o Martin duela comigo em um solo de guitarra, é sensacional.

Divulgação\Ricardo Calabro
Além de Jajá Cardoso, a banda conta com Luca Bori (baixo e vocal), Davide Bori (guitarra) e Dieguito Reis (bateria)

iG: Por que a mudança pra São Paulo após o lançamento do primeiro disco?
Jajá Cardoso: Viemos para cá pensando em ficar quatro meses, e estamos aqui há três anos. O circuito de shows e de mídia especializada é muito maior em São Paulo que em Salvador. É mais fácil sair de São Paulo para fazer shows em outros lugares, por exemplo. Mas acho que se a nossa cidade oferecesse o que a gente precisa, a gente não teria se mudado de lá.

iG: Como é fazer rock na terra do axé?
Jajá Cardoso: Acho que o problema de Salvador está mais na cidade do que nas bandas. O maior ícone do rock brasileiro é da Bahia, o Raul Seixas, mas a cidade não oferece um circuito para crescermos da forma que a gente precisava. Tem uma hora na qual você não tem mais para onde ir. Além disso, a mídia de Salvador é feita para as grandes massas, e as bandas alternativas acabam sufocadas pela indústria da música “do lugar”.

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iG: Quais bandas de Salvador você indicaria?
Jajá Cardoso: Além do Cascadura, que é uma banda já antiga, mas que acabou de soltar um disco bem legal, tem o Charles Chaplin, o Retrofoguetes, e algumas bandas novas legais, como o Velotroz. Vale a pena ouvir.

iG: Onde vocês se enxergam daqui a cinco anos?
Jajá Cardoso: É meio difícil dizer isso, mas a gente se enxerga tocando junto, com a mesma vontade e a mesma essência. Na verdade, eu espero que a gente morra todo mundo velhinho, tocando juntos. Se um dia a banda acabar, acho que é porque isso vai ter feito sentido para nós. Nunca imaginamos que chegaríamos aonde chegamos. Montamos uma banda querendo apenas nos divertir, e é muito legal fazer parte do cenário nacional.

Assista abaixo ao clipe de "Nostalgia", indicado ao VMB: 

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