Cícero Lins: “A internet é a verdade da nossa geração”

Elogiado por Marisa Monte, cantor fluminense já teve seu primeiro disco “Canções de Apartamento” baixado por mais de 200 mil pessoas

Bruno Capelas , iG São Paulo |

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"Sou um cara comum falando de coisas que acontecem comigo - e com todo mundo", diz Cícero

Ele já abriu shows para Marcelo Camelo e foi citado por Marisa Monte como um dos principais nomes da atual geração de novos artistas. Escolhido pela emissora MTV como aposta do mês de junho, o cantor fluminense Cícero Lins vem chamando cada vez mais atenção no cenário musical brasileiro com suas letras sentimentais e melodias que trafegam entre o rock e MPB.

Com 200 mil downloads de seu primeiro álbum “Canções de Apartamento” , lançado em 2011, o cantor assinou recentemente contrato com a gravadora Deck para distribuí-lo em todo o Brasil. “Ninguém mais ganha dinheiro vendendo discos. Ter uma gravadora hoje, na verdade, é um meio de conseguir atender à demanda do público”, diz Cícero em entrevista ao iG .

Divulgação/Mariana Caldas
"Receber um elogio de alguém alegra o meu dia, mas não dá para se deslumbrar com o sucesso", avalia o cantor

Aos 26 anos, o cantor não é exatamente um novato. Quando estava no Ensino Médio, ele era o vocalista da banda carioca Alice , que gravou dois discos ( “Anteluz” , de 2005, e “Ruído” , de 2007) e encerrou suas atividades em 2008, logo após uma viagem de Cícero a Nova York.

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Na época, o cantor saiu da casa dos pais e foi morar em um apartamento na zona sul do Rio de Janeiro , e se viu com os equipamentos de gravação comprados na viagem aos EUA e algumas ideias de canções na cabeça. O resultado disso tudo foi “Canções de Apartamento”, um trabalho bastante influenciado por Tom Jobim , Radiohead , Caetano Veloso , Chico Buarque e The Strokes .

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“As influências são o que eu faço. Não tenho a pretensão de criar um estilo novo e salvar o planeta. Sou um cara comum, que gravou um disco num apartamento pequeno, falando de coisas que acontecem comigo igual acontecem com todo mundo”, explica Cícero. Neste sábado (14), o cantor faz a pré-estreia em São Paulo de seu próximo clipe “Laiá laiá”.

Na entrevista a seguir, Cícero fala sobre suas influências, conta um pouco sobre a repercussão de “Canções de Apartamento” e revela planos para os próximos cinco anos: “Quero continuar fazendo música e lançar um livro de poemas”.

iG: Desde o lançamento de “Canções de Apartamento” até agora, você já foi elogiado pela Marisa Monte e já abriu shows para o Marcelo Camelo. Como estão as coisas para você?
Cícero Lins: Ainda não processei tudo direito, foi bastante informação vindo de maneira rápida. O “Canções de Apartamento” já foi baixado por mais de 100 mil pessoas só no meu site. Imagino que na internet a marca esteja por volta de uns 200 mil downloads. Já fiz muitos shows e dei várias entrevistas por causa do álbum. Essa sensação de notoriedade é muito legal porque dá pra sentir que eu não pirei sozinho enquanto fazia as músicas. Mas é algo que acaba virando parte do dia a dia. Receber um elogio de alguém, dar uma boa entrevista ou fazer um show legal alegra o teu dia. Mas o dia seguinte tem de ser um dia novo. Não dá para se deslumbrar muito.

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"Canções de Apartamento" é o primeiro disco solo de Cícero", lançado gratuitamente pela internet em 2011

iG: Assinar com a Deck para distribuir o “Canções de Apartamento” mudou alguma coisa para você?
Cícero Lins : Muda em termos de estrutura. Muita gente me pedia o disco, ou me falava para ir fazer shows no Nordeste e no Norte. Quando você é 100% independente, fica difícil ir a várias partes do Brasil, porque é caro. Com o apoio de uma gravadora, é possível realizar isso. Ninguém mais ganha tanta grana vendendo disco. Ter uma gravadora hoje é um meio de conseguir atender à demanda do público.

iG: Você já consegue viver financeiramente só de música?
Cícero Lins: Não. Produzo três festas no Rio há uns quatro ou cinco anos. Foram essas festas que bancaram o disco, e bancam a minha vida. Não dá para ficar rico e ter um carro do ano, mas dá para pagar o aluguel de um apartamentozinho e ser feliz.

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"Eu nunca teria um disco gravado se não fosse a internet", comenta Cícero

iG: No encarte e na capa do disco, mostram-se várias fotos de artistas como Tom Jobim, Chico Buarque, Kurt Cobain, Beatles e Mutantes. O que você queria dizer com isso?
Cícero Lins: Tentei deixar claro no meu disco que eu não estou inventando nada. Quis mostrar na capa que as coisas que eu escrevo são reflexos daquilo que eu vejo, leio ou ouço. Não tenho a pretensão de criar um estilo novo e salvar o planeta. Quis só falar que eu sou uma pessoa comum, que gravou um disco num apartamento pequeno, falando de coisas que acontecem comigo igual acontecem com todo mundo. Tenho o sonho de conseguir chegar numa estética que é só minha, mas isso é uma meta de vida, que você realiza fazendo um disco após o outro.

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iG: Você tem 26 anos, e faz parte de uma geração que foi criada com a internet. Ter acesso à música pela internet mudou a tua obra?
Cícero Lins: Mudou tudo. A internet mudou a relação das pessoas com a arte. Com a tecnologia, todo mundo hoje é fotógrafo, ou diretor, ou escritor. Eu nunca teria um disco gravado se não fosse a internet. Muita gente escreve livros e começou com um blog, ou está fazendo filmes depois de ter colocado vídeos no YouTube. A internet não é só uma ferramenta, ela é a verdade da nossa geração.

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iG: Você acabou de lançar o clipe de “Açúcar ou Adoçante?”, que é o terceiro desse disco, e deve lançar o de “Laiá laiá” em breve. Existe a intenção de lançar outros?
Cícero Lins: Sim. Quero fazer clipes para todas as músicas do disco. Hoje em dia há tecnologia fácil para fazer, e tem muita gente que ouve música pelo YouTube. E é melhor ouvir música com um vídeo legal do que com uma foto minha parado (risos). Além disso, o YouTube é o jeito mais fácil de se mostrar uma música para alguém hoje em dia.

iG: E onde você se vê daqui a cinco anos? O que você se vê fazendo?
Cícero Lins: Vou estar fazendo música. Mas não faço ideia de que tipo de música. Quero fazer outros discos. E quero também publicar um livro de poemas. Estou até falando isso em várias entrevistas que é para as pessoas saberem e começarem a me cobrar, assim eu não desisto da ideia (risos).

Assista abaixo ao clipe de "Tempo de Pipa", com a participação da atriz Letícia Colin: 

SERVIÇO
Show de pré-lançamento do clipe “Laiá Laiá”, do cantor Cícero
Quando: 14 de julho, a partir das 22 horas
Local: Hotel Cambridge, na rua João Adolfo, 126, no Centro
Preço: R$ 25 (antecipado) ou R$ 30 (na porta)
Classificação: 18 anos.

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