Pablo sobre o arrocha: “Se fosse ruim, ninguém faria cópias”

Um dos precursores do gênero, músico baiano diz que pretende levar o ritmo para todo o Brasil e sonha com uma parceria com Zezé di Camargo e Luciano

Marília Neves, de Aracaju |

Claudio Augusto
Pablo

Pablo, a voz romântica”. Essa frase, em forma de vinheta de rádio, é repetida por diversas vezes durante o show de Pablo, um dos precursores do arrocha, ritmo brasileiro originário da Bahia, que traz a junção do teclado, do saxofone e da guitarra, além de uma boa ginga no quadril para dançar baladas românticas e sensuais.

ESPECIAL TECNOBREGA: Descubra quem é quem no tecnobrega
Gang do Eletro: "Basta viver em Belém para respirar o tecnobrega"

Os passos típicos, Pablo prefere deixar por conta dos dois casais de bailarinos que o acompanham na turnê. “Não sou a pessoa ideal para falar da dança. Dançar não é minha praia. Meu negócio é cantar”, afirma o cantor ao iG, ainda no camarim, se preparando.

Claudio Augusto
Pablo
Assumidamente tímido, ele esquece essa característica quando sobe ao palco e canta para uma multidão, como aconteceu no último final de semana em Aracaju, no Forró do Nana, onde se apresentou para 15 mil pessoas, todas cantando em coro cada uma das músicas do artista.

Siga o iG Jovem no Twitter

Acompanhado de 35 pessoas em sua equipe de produção, 12 deles músicos, Pablo já tem 27 shows marcados para junho. Com um cachê que varia de R$ 50 mil a R$ 100 mil, ele costuma fazer dois shows por dia quando chega o final de semana. Mas não demonstra cansaço na hora de subir ao palco.

Brega, eu?

É no palco que Pablo canta músicas românticas, consideradas bregas por muitos. “Depende do que a pessoa acha que é brega. Eu canto música romântica. Tem que ver porque é brega. Eu gosto de música romântica. Quem nunca perdeu um amor? Ou quer conquistar um amor? O brega vem crescendo no Brasil”, explica ele.

Quando questionado se o país é brega, ele não hesita. “Sim, o Brasil é brega”. Ele ainda rebate que brega não é sinônimo de música sem qualidade. “Se fosse ruim, ninguém faria cópias, ninguém queria fazer.”

LEIA TAMBÉM: Dablio: “Meu sertanejo é mais pop que universitário”
Amannda, revelação do sertanejo, canta em busca de carinho

Brega ou não, Pablo pretende mostrar seu ritmo para todo o Brasil já que, por enquanto, sua música tem força apenas no nordeste do país. “A gente vem tentando levar o arrocha para vários lugares. Aos poucos está chegando. Tudo acontece naturalmente. A gente tem paciência de esperar”, declarou.

Portas abertas no sertanejo

O arrocha já ganhou lugar nos palcos sertanejos. Muitos artistas como Gusttavo Lima, Maria Cecília & Rodolfo e Jorge & Mateus, entre outros, já estão inserindo o ritmo em suas canções, formando um novo movimento, segundo Pablo. “A batida de bateria é diferente. Hoje estão surgindo as duplas sertanejas tocando o arrocha universitário. Mas o arrocha com violão e guitarra está há muito tempo na estrada”, declarou ele, que em 2012 completa 12 anos de carreira.

Claudio Augusto
Zezé di Camargo e Luciano são os maiores ídolos do cantor baiano, que sonha com uma parceria
Apesar de considerar os dois sons diferentes, Pablo afirma que sempre se inspirou em uma dupla sertaneja: Zezé di Camargo e Luciano. “Sou apaixonado por eles. Minha linha sempre foi sertaneja”, afirmou o músico, sonhando com uma parceria musical.

Curta a página do iG Jovem no Facebook

Enquanto isso não acontece, o baiano apresenta canções de seus ídolos no palco, como “Mentes Tão Bem”, “Será Que Foi Saudade”, “Pra Mudar A Minha Vida” e “É O Amor”. Vale ressaltar que este momento do show é bem menos aplaudido do que quando Pablo canta suas próprias canções.

Além do sertanejo, Pablo também ganhou espaço em um cenário dominado pelo axé. Há três anos ele puxa um trio no carnaval baiano. “Música é diversidade, atinge todas as classes e gostos. O público não é selecionado, todo mundo vai atrás do trio. Antigamente, havia muito preconceito com o arrocha. Estou muito feliz de encabeçar esse movimento."

+ MÚSICA
Quem é o maior ídolo do momento na música pop internacional?
Bonde do Rolê: “O ódio que tinham da gente virou amor”

Claudio Augusto
Pablo chega a fazer 28 shows lotados por mês, com cachê que pode chegar a R$ 100 mil

Leia tudo sobre: Especial SertanejoMúsicaarrochaentrevista

Notícias Relacionadas


    Mais destaques

    Destaques da home iG