O "Girl Power" toma a internet

Site "Blogueiras Feministas" reúne garotas para falar sobre política, sexualidade, saúde e trabalho, entre outros

Carol Patrocinio, especial para o iG |

Getty Images
O site "Blogueiras Feministas" agrega 54 garotas discutindo assuntos desde política até sexualidade

Foi com hábitos do dia a dia que Bia Cardoso, mais conhecida na internet como Srta. Bia , se descobriu uma verdadeira feminista. De lá pra cá, conseguiu notar que sua luta já acontecia há muito tempo: “Durante toda minha vida me interessei por assuntos feministas, porque sempre lutei por minha independência. Também sempre levantei questões, como por exemplo, a divisão de tarefas domésticas igualmente entre irmãos e irmãs”, explica.

Hoje é ela a cabeça por trás do site " Blogueiras Feministas ", que discute questões importantes do universo feminino através de um olhar diferente. A ideia começou a germinar com seu próprio blog, criado em 2002, quando ela teve contato com diversas garotas feministas e finalmente se assumiu assim.

Depois disso foi a hora de mergulhar de cabeça no grupo de discussão criado por Maria Frô e Cynthia Semiramis em que, atualmente, quase 600 pessoas discutem direitos, deveres e o mundo em que vivemos. “Creio que o feminismo é plural, mas acreditamos que algumas questões como enfrentamento a violência contra a mulher, autonomia sobre o corpo e a luta por uma sociedade mais igualitária são questões fundamentais e que nos unem”, diz Bia.

As Blogueiras Feministas são hoje 54 garotas que participam ativamente de eventos como a Conferência Nacional de Políticas para Mulheres; falam com pessoas importantes como a polêmica ministra Iriny Lopes ; e debatem assuntos como violência contra a mulher e diversidade sexual.

Um mouse na mão, uma ideia na cabeça

A internet vem sendo tomada, nos últimos tempos, por meninas que não aceitam mais ser rotuladas por suas escolhas, jeito de falar, se vestir ou por quantos cara ficaram na última balada. O ciberativismo relacionado ao feminismo cresceu em ritmo parecido e vem ganhando adeptas de todas as idades.

Arquivo pessoal
Bia Cardoso é responsável pelo site Blogueiras Feministas
“Um dos nossos principais objetivos ao criar um blog com assuntos feministas é justamente
aproximar o feminismo das pessoas e mostrar as adolescentes que todos os dias há outra adolescente percebendo que a sociedade é injusta, que a responsabilidade pela família, idosos e doentes é em grande parte das mulheres, que muitos meninos não podem chorar ou demonstrar fragilidade, enquanto meninas não podem ser competitivas e agressivas”, comenta Srta. Bia.

Não precisa queimar o sutiã!

“Assumir-se feminista numa sociedade em que isso não é legal não é simples em qualquer idade, mas quero dizer a todas as adolescentes que são feministas não estão sozinhas. Há muitas mulheres que pensam como você”, incentiva a blogueira.

Lembre-se que expor suas ideias não é algo panfletário, não precisa ser agressivo e muito menos criar conflito. “Não precisa chegar brigando com todo mundo da família ou com os colegas de classe que expressam ações machistas, mas é bom pontuar certas questões. Então, um dia que estiver vendo televisão com os pais ou quando um livro estiver sendo discutido em sala de aula, vale lançar um olhar feminista sobre questões levantadas”, sugere.

Divulgação
Srta. Bia recomenda a série "Glee", que fala sobre bullying e homofobia
Outra dica de Bia é o seriado " Glee " - “Acredito que ele tem aproximado os adolescentes de muitos temas como homofobia e bullying de uma forma clara e divertida.”

Que atire o primeiro rímel...

Quem nunca se sentiu menos bonita do que modelos de capa de revista! A ideia de que feministas são feias, não se cuidam e são masculinas ainda existe, mas Bia explica que tudo mudou, e muito.

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“Houve um momento em que foi preciso quebrar estojos de maquiagem porque eles representavam grande parte da opressão que era imposta as mulheres. Hoje já ultrapassamos a questão de usar ou não maquiagem, isso acaba sendo uma questão individual. Porém, a beleza e a vaidade continuam sendo elementos que oprimem as mulheres a medida que existe uma indústria da beleza que não respeita a diversidade das mulheres e busca um padrão uniformizado, global e inatingível de beleza perfeita.”

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