Dos sete mil inscritos no evento, cinco mil estão acampados no pavilhão da Campus Party
Você trocaria o conforto da sua casa ou a cama de um hotel por um colchão inflável dentro de uma barraca de camping com banheiros coletivos? No Centro de Exposições do Anhembi, em São Paulo, cerca de 5.500 jovens assumidamente nerds – e com orgulho! – fizeram essa escolha e, verdade seja dita, estão se divertindo.
Na Campus Party, evento que promove durante cinco dias debates e palestras sobre redes sociais, games, astronomia e outros temas relacionados a tecnologia, os participantes têm a opção de comparecer todos os dias, mas dormir fora do pavilhão, ou ficar hospedado lá mesmo, no camping. E dos sete mil inscritos no evento, cerca de cinco mil se decidiram pela segunda opção.
Além da economia, já que os ingressos para campuseiros custaram a partir de R$ 150 reais nessa edição, acampar no evento é garantia daquele clima divertido de excursão de colégio. “Fiz amizade com o vizinho da direita já na fila de entrada e depois fiquei amigo do vizinho da esquerda. Meus vizinhos são ótimos, até saímos juntos para fazer compras no supermercado”, conta o estudante de engenharia elétrica Fernando Augusto Dias, de 19 anos, que veio de Belo Horizonte para acampar no evento pela primeira vez.
Yves divide com as amigas Leticia e Raquel a água mineral que compraram no supermercado. "Está caro", queixa-se
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Com os acampantes de primeira viagem, os campuseiros experientes também são solidários e dão uma mãozinha sempre que necessário. “Ontem meu vizinho me pediu ajuda para encher o colchão de ar”, conta Yves Iure, de 22 anos, que veio de Paulo Afonso, na Bahia, para a Campus Party pela primeira vez, mas acampa desde a infância. “Já vi gente chegar sem colchão e conseguir um emprestado”, conta o veterano Paulo Christiano, de 31 anos, que participa da Campus Party desde a primeira edição, em 2008.
Mas o ideal é que nenhum campuseiro, mesmo que inexperiente, passe aperto. Por isso, quem já está por lá dá dicas importantes a quem está a caminho ou pensando em se inscrever na edição do ano que vem:
- Não é porque o acampamento fica no meio de São Paulo que ele tem infra-estrutura de hotel. Ainda é um camping. Portanto, tem que levar saco de dormir ou colchão inflável (o de casal tem o tamanho exato das barracas), toalha e produtos de higiene pessoal, pelo menos;
- “Traga fones de ouvido para dormir, porque aqui o barulho é complicado”, aconselha Paulo. “Ontem eu vim dormir às três e pouco da manhã e acordei às nove com o pessoal gritando no microfone”, lamenta Yves, que conheceu em um momento um tanto inapropriado a mania dos campuseiros de gritar "Ôôôô" por nenhum motivo aparente. Mas, se nem uma musiquinha ambiente for suficiente para trazer seu sono de volta, mantenha o bom humor e não perca o espírito de campuseiro: “dormir é para os fracos”, avisa Paulo;
Fernando ao lado do filtro de linha, carregadores, controle de video game, notebook, Kindle... E dos lanchinhos
- Uma máscara de dormir também pode ser uma boa aliada do sono. “Minha maior dificuldade na Campus Party foi dormir com a iluminação do camping, mas ganhei de brinde uma máscara e o problema foi resolvido”, diz a relações públicas Larissa Régia, de 21 anos, que está acampada pelo segundo ano consecutivo;
- De acordo com os campuseiros, para economizar com comida é melhor fazer compras no supermercado para garantir os lanchinhos ao longo do dia. “Tá caro!”, reclama Yves enquanto divide com as amigas as garrafas de água mineral que compraram;
- O evento está cheio de tomadas disponíveis, mas os carregadores são responsabilidade dos participantes. Portanto, se você não quiser que seu notebook e celular participem só do primeiro dia, não se esqueça deles. Fernando trouxe de Belo Horizonte uma mala cheia de gadgets. “Tenho pilhas, carregadores, filtro de linha, notebook, desktop, Kindle, Kindle fire, celular, mouse, controle de video game, extensão...”, conta, exibindo a bagagem.
- O clima paulistano é inconstante, e isso pegou alguns campuseiros desprevenidos. Quem passou o primeiro dia reclamando do calor, percebeu que à noite a temperatura muda bruscamente. “Acordei com frio de noite e precisei vestir um casaco. Quem vem para cá precisa trazer roupas de frio e de calor”, diz João;
Se alguém lhe acordar gritando "Ôôôô" no microfone, não perca o bom humor. "Dormir é para os fracos", diz Paulo
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- As meninas podem deixar o look de balada em casa, porque depois que o pessoal começa a se sentir em casa, todo mundo anda por aí de chinelo. “Ano passado vim com uma mala gigante e não usei muita coisa”, recorda a técnica de informática Francielle Carvalho, de 20 anos, de Curitiba (PR). “Roupas demais e salto alto são desnecessários”, aconselha Larissa;
- Quando chegar, pegue sua credencial e arrume logo a sua barraca. “Ontem eu queria usar logo o computador e, enquanto eu estava na internet, a fila do camping foi crescendo”, conta João, que precisou enfrentá-la já cansado e com vontade de tomar banho e dormir;
- A Campus Party tem filas para entrar, para sair, para comer, para beber água... Portanto, antecedência e paciência são fundamentais. “É melhor se cadastrar pela internet com antecedência para receber a credencial em casa. Na fila do credenciamento foi onde eu gastei mais tempo”, conta Fernando;
- Antes de chegar, veja a programação completa do evento e selecione os painéis mais interessantes. “Neste ano eu fiz uma agenda para não ficar perdida”, fala Francielle.