O que você tem de fazer para tirar a Carteira de Habilitação?

Jovens enfrentam a autoescola e contam como é o processo para aprender a dirigir

Emílio Franco Jr. , especial para o iG |

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Sâo necessárias 9 aulas teóricas e 20 aulas práticas antes de fazer a prova para ter a carta de motorista

Fazer 18 anos é motivo de comemoração para qualquer adolescente. Com a maioridade vêm liberdades, como a permissão para entrar em baladas, para consumir bebida alcóolica nos bares e para dirigir. Mas tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não é tão simples: exige tempo e dedicação. O iG Jovem conversou com meninos e meninas que estão cumprindo as etapas obrigatórias, ou que acabaram de realizar o exame final, para saber o que é mais difícil e o que os motivou a encarar o trânsito.

Em primeiro lugar, é necessário um bom investimento. Conseguir a habilitação custa algo entre R$ 800,00 e R$ 1.000,00. Esse valor, cobrado pela autoescola, inclui todo o processo: exames obrigatórios, aulas teóricas e práticas, e as provas – escrita e prática. Além do dinheiro, o candidato a motorista precisa de paciência. Cumprir todas essas etapas costuma levar de três a cinco meses, e ainda tem a espera pela chegada da Permissão para Dirigir, cuja validade é de um ano. Nesse período, o condutor tem de evitar a todo custo ser multado. Se conseguir não infringir nenhuma norma de trânsito, recebe a CNH definitiva.

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Entre o começo das aulas teóricas e o recebimento da carta, o processo pode durar cerca de seis meses

“Vi gente ser reprovada antes de mim”
A estudante de arquitetura Paula Fragalle Brisolla, de 19 anos, foi aprovada recentemente no exame final em sua primeira tentativa, mas confessa que deixou o carro morrer. Com isso, teve dois pontos descontados, dos três permitidos. “Fiquei extremamente nervosa, ainda mais porque vi pessoas sendo reprovadas antes de mim”, conta. Em muitas cidades, a taxa de reprovação passa dos 50%.

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Apesar de estar contente com a aprovação, Paula alerta os ansiosos para dirigir para uma virtude indispensável: a paciência. Todo o processo demorou seis meses e ela ainda está esperando sua Permissão chegar. “O sistema do Detran é muito complicado, tem muita burocracia envolvida”, reclama.

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Para ela, aguentar a demora do processo é mais difícil até do que aprender o funcionamento do carro. Entre o fim das aulas teóricas e a prova escrita, por exemplo, há um intervalo de 20 dias. Depois, as aulas práticas estão sujeitas às concorridas agendas das autoescolas.

A ansiedade parece ser realmente difícil de controlar. Alexandre de Couto Moutinho, de 19 anos, se diz muito ansioso para ter a habilitação. Ele está na etapa das aulas práticas e confidencia que no começo achou complicado. “Eu não conhecia os mecanismos do carro e as diversas manhas que facilitam a direção”. Apesar disso, ele afirma estar tranquilo para o dia da prova. “O teste não é complexo, nem longo, e os instrutores dão todas as dicas necessárias para fazer o percurso da melhor forma”, acredita Alexandre. A manobra mais difícil, segundo ele, é controlar o recuo do carro na subida.

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Conseguir a habilitação é bastante caro: a despesa fica entre R$ 800,00 e R$ 1.000,00

Nove aulas teóricas e vinte aulas práticas
Para começar, os pretendentes a uma CNH têm nove aulas teóricas, com cinco horas cada, para aprender primeiros-socorros, leis de trânsito e noções básicas de mecânica. Em seguida, vêm 20 aulas práticas obrigatórias, cada uma com 50 minutos de duração, para aprender todos os macetes do carro e a técnica de direção, sendo que quatro aulas devem ser realizadas à noite. 

Ainda no início do processo de aprendizado, Lucas Carlini Tirelli, de 18 anos, está se aborrecendo com as aulas teóricas: “Elas são bem maçantes”. Só passada essa parte é quye ele pode ter as aulas práticas, para aprender efetivamente a dirigir um carro.

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Decorar o nome das placas e saber as regras de trânsito estão entre as tarefas dos futuros motoristas

Mas nada de nervoso: ele não está ansioso para conseguir a habilitação e também não teme a prova prática, que acredita ser a parte mais difícil. Seu relativo desânimo é baseado no fato de que as ruas já estão entupidas de carros e seu motivo principal para tirar a carteira é apenas estar preparado para alguma emergência.

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O caso de Alexandre é diferente: ele quer dirigir pela comodidade, praticidade e pela independência que o carro traz. “As pessoas dizem que eu não faço ideia do trânsito que me espera, mas na realidade eu já passo horas sentado no banco de plástico do ônibus, que ainda passa por caminhos desnecessários para mim”, defende-se. Ele crê que ganhará mais liberdade para ir a lugares difíceis de chegar de transporte público e, além disso, quer pegar o carro em dias tranquilos e fazer bate-volta para a praia.

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Paula também acredita que o carro facilitará sua locomoção, além de ser útil em casos de emergência. Ela assume que nunca gostou muito de dirigir, mas disse que as experiências ao volante foram interessantes até aqui. “Nunca tinha ligado um carro antes das aulas”, conta. Para ela, os ensinamentos teóricos foram os mais sossegados e aconteceram em pouco tempo. Essa primeira prova ela achou fácil. “Com um pouco de bom senso e uma estudada na parte de mecânica dá para passar”, aconselha.

O que mais demorou, explica, foram os intervalos entre as provas e as aulas, sendo que treinar os ensinamentos práticos (ou seja: pegar no volante e dirigir) depende da disponibilidade do aluno e da autoescola. “Não tinha muitos horários disponíveis, achei tudo muito mal organizado”. Apesar de nem tudo ser da forma como os jovens imaginavam, dirigir será em breve uma realidade para eles. Enquanto Paula comemora a possibilidade de se locomover de sua casa aos lugares que frequenta nos horários em que não há ônibus e metrô, Alexandre confessa um medo: enfrentar a falta de paciência dos motoristas.

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