Livros são a melhor maneira de sabermos que não estamos sós, diz Cassandra Clare

Por Gustavo Abreu , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Autora americana da saga best-seller "Os Instrumentos Mortais" é a atração principal da 23ª Bienal do Livro de SP. Ao iG, ela falou sobre o poder das mulheres nos livros YA, seu clube secreto de escritores e diversidade: "fico orgulhosa de ser uma das séries mais vendidas e tendo personagens gays"

Cassandra Clare, 41, é do clube de autores young adult do qual também fazem parte J.K. Rowling (“Harry Potter”), Suzanne Collins (“Jogos Vorazes”), Stephenie Meyers (“Crepúsculo”) e Veronica Roth (“Divergente”). Sua série de fantasia “Os Instrumentos Mortais” já vendeu mais de 26 milhões de livros no mundo todo, e ainda virou um filme de sucesso relativo com Lily Collins no papel principal. Esta semana ela está no Brasil pela primeira vez como atração principal da 23ª Bienal do Livro de São Paulo, onde faz tarde de autógrafos este sábado (23) e uma palestra no domingo (24).

Divulgação
Cassandra Clare nasceu no Teerã, mas foi radicada nos EUA. Ela era jornalista e se dividia entre o emprego na revista The Hollywood Reporter e a produção de fanfiction de Harry Potter

Formada por seis livros, a saga “Os Instrumentos Mortais” (Galera Record) conta a história de Clary, uma adolescente aparentemente comum que descobre fazer parte de uma linhagem de Caçadores de Sombras, ou assassinos de demônios que vivem soltos por Nova York. O primeiro livro, “Cidade dos Ossos”, foi lançado em 2007. Desde então a saga não saiu da lista de mais vendidos do “The New York Times” e ainda ganhou uma prequel, a trilogia “As Peças Infernais”.

Em entrevista exclusiva ao iG, Cassandra Clare (ou Cassie, como gosta de ser chamada), falou sobre o poder das mulheres nos livros young adult, seu clube secreto de escritores do segmento e levantou a bandeira da diversidade nos livros teen: "fico orgulhosa de ser uma das séries mais vendidas que têm personagens gays.” Ela ainda se emocionou ao contar de um fã que desistiu de se matar depois de ler sua série, e revelou que o roteiro de “Cidade das Cinzas”, segundo da saga cinematográfica, está sendo reescrito: “espero poder ver algo no próximo mês. Estou com os dedos cruzados.”

Leia a entrevista traduzida e ouça o áudio original aqui:

iG: Está animada por estar no Brasil?
Cassandra Clare: Muito animada! Eu quero vir aqui faz anos e todo ano que a gente tentou me trazer aqui aconteceu algo que atrapalhou. Então estou muito animada por estar aqui finalmente.

iG: Você recebe muitas mensagens dos fãs brasileiros?
Cassandra Clare: Muitas mensagens do Brasil. E muitas em português, e eu não falo português (risos).

iG: Os fãs brasileiros são conhecidos por serem muito apaixonados. Que tipo de mensagem eles te mandam?
Cassandra Clare: Eu tenho um tradutor que me ajuda a traduzir as mensagens, porque eu recebo muita coisa em português. Muitos falam sobre os livros, mas muitos mandam perguntas detalhadas, porque eles são tão apaixonados que sabem tanto. Eles falam coisa do tipo “como esse personagem tem olhos castanhos, sendo que um dos pais tem olhos azuis e o outro tem olhos verdes, então ela deveria ter olhos azuis. Isso significa que talvez ela não seja filha do pai dela, e talvez o pai é outra pessoa?” E eu fico tipo…

Divulgação
"CIdade do Fogo Celestial", sexto e último livro da saga, chegou ao Brasil em junho

iG: Eles estão trazendo genética para seus livros!
Cassandra Clare: Nããããão tragam genética para isso (risos). Eu nunca pensei nisso. Eles são muito bons em encontrar todos os detalhes.

iG: Eu tenho uma pergunta bem simples, mas acho que difícil de responder: qual é a importância dos livros para você como indivíduo?
Cassandra Clare: Para mim a importância dos livros é que eles espelham nossas próprias experiências. Nós os lemos porque eles são a melhor maneira de nos dizer que não estamos sozinhos, e as experiências que nós vivemos não são apenas nossas, mas sim de todo mundo.

iG: Uma das minhas coisas favoritas desse frenesi dos livros young adult é que eles criaram um exército de mulheres jovens poderosas. Eu cresci com Marty McFly e Simba, mas agora só se fala sobre Princesa Elsa e Katniss. Qual é a importância da Clary nesse empoderamento das mulheres?
Cassandra Clare: Eu fui sortuda de fazer parte de uma onda de livros sobre mulheres jovens e poderosas. Acho que cresceu. Antes nós tínhamos o Harry Potter, e a grande popularidade do Harry Potter, tínhamos muitos imitadores do Harry Potter que eram sobre homens jovens descobrindo o que era ser um herói, e encontrando o seu destino. Isso foi ótimo, mas não tínhamos isso para garotas. Então houve uma onda de pessoas que tinham lido esses livros e os amavam muito, mas se perguntaram “cadê essa história para as garotas?” Às vezes quando a história não existe você tem que escrever. Eu lembro de me perguntar “cadê essa história para jovens mulheres?” Porque existem vários livros sobre como se tornar um homem, como crescer e escolher se você quer ser uma pessoa boa e moral, e como se tornar um homem, e eu me perguntava cadê essa história sobre como você cresce e escolhe a pessoa que quer ser, mas para mulheres. Eu decidi que ia escrever essa história, a jornada dessa heroína, sobre Clary, e espero que as pessoas gostem. Por sorte houve essa onda. O livro saiu logo depois de Crepúsculo e um pouco antes de Jogos Vorazes. Houve uma onda de pessoas que estavam dispostas a escrever histórias sobre garotas. Desde então, tivemos um grande movimento.

Divulgação
No cinema, Clary foi interpretada por Lily Collins ("Espelho, Espelho Meu")

iG: Ao escrever sobre fantasia é quase impossível não cruzar os trilhos com visões religiosas e fé. Quanto da sua fé afeta os seus livros?
Cassandra Clare: Eu fui criada judia, e muitos princípios do judaísmo aparecem na história. O Simon, que é melhor amigo da Clary, é judeu, então eu o usei muito para falar sobre a minha própria fé e trazer isso para a história. Mas [o livro] não é sobre aspectos específicos do que é ser judeu, com os princípios gerais e que esperamos que a vida seja sagrada acima de tudo, e se você salvar uma vida você salva o mundo todo, esse tipo de coisa. Qualquer pessoa que tem valores e espiritualidade vão levar valores e espiritualidade para o que escrevem, mas eu tento ser o mais inclusiva de religiões que eu posso porque quero que todos encontrem algo com que possam se identificar.

iG: Outro aspecto de “Os Instrumentos Mortais” que eu gosto é que ele tem personagens gays, o que não existia antes em livros juvenis. Como você decidiu incluir esses personagens na história e chegou a ter problemas com a editora por causa disso?
Cassandra Clare: Decidi porque eu cresci com amigos gays, que sempre me diziam que não existem personagens que os representavam nos livros, ou existe um ou dois e a história toda é sobre eles serem gays. Eu queria ler uma história sobre um personagem que tem toda uma aventura, e que ele é um herói e faz coisas super radicais, e por acaso ele é gay. Eu lembro de refletir sobre isso e pensar que quero incluir um personagem assim porque isso representa as pessoas gays que eu conheço. Também eu pensei que é importante, como eu disse, para saber que não estamos sozinhos. Existem tantos adolescentes gays nos Estados Unidos que pensam que eles estão sozinhos, eles não vêem outras pessoas como eles, e não podem falar para ninguém, não podem sair do armário porque se preocupam com os pais, ou com a escola. Então eu achei que essa seria uma maneira de atingir, com sorte, esses adolescentes. Sempre planejei incluir Alec desde o começo e eu sabia que ele teria um relacionamento, e eu sabia que seria significante para a história. Quando vendi o livro tiveram algumas editoras que se interessaram, e eu fui a elas, expliquei sobre o que era a série, como ela se desenvolveria, e perguntei se eles tinham problema com isso. Nenhum deles disse que gostaria que eu tirasse o Alec da história, mas perguntaram se ele era uma parte importante. Eu respondi que ele é sim uma parte importante do livro. Quando encontrei a minha editora atual, eu disse que ele seria importante e ela disse “ótimo, ele é meu personagem favorito.”

Robert Sheeran e Lily Collins são os protagonistas de "Cidade dos Ossos". Foto: DivulgaçãoA garota de 16 anos entra em contato com um grupo de pessoas que lutam contra demônios. Foto: DivulgaçãoEla descobre este mundo após a sua mãe desaparecer inexplicavelmente. Foto: DivulgaçãoO longa "Cidade dos Ossos" chega aos cinemas em agosto deste ano. Foto: DivulgaçãoLily Collins faz par romântico com Jamie Campbell Bower, que interpreta o caçador de sombras Jace. Foto: DivulgaçãoJemima West no longa "Cidade dos Ossos". Foto: DivulgaçãoJamie Campbell Bower como o caçador de sombras Jace. Foto: Divulgação

iG: As coisas estão mudando!
Cassandra Clare: Sim, estão. Até mesmo na época em que eu escrevi, em 2003, desde lá eu vejo um salto. Mas ao mesmo tempo você olha para a lista de best-sellers e pensa, sabe… Eu acho que não existem personagens gays nos Jogos Vorazes ou no Crepúsculo, então… Eu já vi as estatísticas e os rankings e fico muito orgulhosa de ser uma das séries mais vendidas tendo personagens gays e que está na lista de best-sellers.

iG: Você é próxima de outros autores de young adult? Porque na minha cabeça vocês são tipo um clã e têm um grupo no WhatsApp e ficam conversando o dia todo.
Cassandra Clare: (Risos) Você não está tão errado. Eu sou muito amiga de um monte de autores de YA, e eu passo muito tempo com eles. Claro a Holly Black é uma das minhas melhores amigas e nós estamos escrevendo um livro juntas. A Sarah Rees e a Maureen Johnson, que ambas são autoras YA muito conhecidas, e estão escrevendo As Crônicas de Bane comigo, somos muito amigas. Sou muita amiga do John Green. E mesmo quando não é super próximo de alguém, você acaba esbarrando com as pessoas. Eu conheço a Suzanne Collins e o Rick Riordan, a gente sempre se encontra, e assim que a gente se vê fica de “ti-ti-ti”. É como um grupo, e todo ano eu viajo por um ou dois meses com um grupo de autores de yong adult, é como um retiro de escritores.

Divulgação
Cassandra Clare

iG: Ah, então existem reuniões secretas…
Cassandra Clare: (Risos) Sim, temos reuniões secretas. Ano passado fomos ao México, e eram dez de nós. Estávamos trabalhando nos nossos livros, e dando feedback um ao outro.

Siga o perfil do iG Jovem no Twitter

iG: Quem são seus favoritos?
Cassandra Clare: É difícil se dividir dos seus amigos, mas eu amo o John Green. Sempre amei o seu trabalho e estou muito feliz que A Culpa é das Estrelas está ganhando todo o reconhecimento que deveria. Gosto claro da Holly e da Maureen, Sarah. Gosta da Libba Bray, é uma grande autora, ela escreve versões atualizadas de contos de fadas russos, é fantástica. A Laini Taylor escreve livros lindos de fantasia. Gosto do Matt de la Peña, ele é ótimo, escreve livros de aventura.

iG: Como foi a experiência de sentar na sala de projeção e ver Cidade dos Ossos tomando forma em um filme?
Cassandra Clare: Foi esquisito, mas eu já tinha ido aos sets de filmagem algumas vezes. Eles estavam filmando em Toronto, e não é tão longe de onde eu moro, então eu fui algumas vezes e eles falaram que eu podia ir quando quisesse. Quando eu cheguei da primeira vez eles estavam almoçando, não tinha ninguém no set. Eu andei por ele e eles tinham construído toda a Cidade dos Ossos, todos os quartos, e os anjos, e eles construíram o apartamento da Clary, e o interior do instituto, que era exatamente como eu tinha descrito… A estátua do anjo, o mural. Então eu fiquei parada no meio do instituto e comecei a chorar, porque estava tão emocionada de estar nesse lugar que eu criei e agora era real. O diretor chegou no local para pegar algo perguntou se eu tinha odiado (risos). Isso foi tão estranho, que ver o filme nem foi tão estranho.

iG: O que vai acontecer com os próximos? Porque parece que eles ainda estão incertos…
Cassandra Clare: Eles estão incertos. Porque o primeiro foi bem o suficiente para eles quererem fazer outro. Mas tiveram muitos feedbacks de pessoas dizendo que o filme não ficou muito parecido com o livro, e eles querem que fiquem. Eles já tinham um roteiro para o segundo, e iam filmar, mas não era nada parecido com o livro. Digo, o Magnus tentava ser prefeito! Era completamente diferente, e não tinham muitas coisas parecidas. Ou eles fariam um filme próprio e chamariam de Caçadores de Sombras, ou voltariam para fazer os livros. Eles decidiram que vão fazer os livros, então pararam o que estavam fazendo e estão reescrevendo. É isso que eles estão fazendo, e espero poder ver algo no próximo mês. Estou com os dedos cruzados, nunca se sabe o que vai acontecer.

Divulgação
Na saga, o personagem Alec (Kevin Zegers) é gay e tem um papel super importante na trama

iG: Fiz essa pergunta para outro autor, mas ele me deu uma resposta muito chata, então espero que você faço um trabalho melhor: o que você acha desta nova geração que está crescendo com as redes sociais, diversidade e mulheres fortes como a Clary?
Cassandra Clare: Eu olhos para eles e fico muito animada, porque sinto que eles são uma geração de mulheres fortes e poderosas e que as histórias delas são tão importantes quanto as dos homens. Eles viraram uma força de pessoas a quem eu olho, e eu vejo esses garotos de 16 e 17 anos e eles têm esses blogs falando sobre justiça social, lutam pelo direito de serem ouvidos, lutam pelo direito de escolher o que querem fazer da vida. Eu olho para trás, quando eu tinha essa idade, se eu tivesse a mesma habilidade de absorver esse conhecimento... Eles estão ouvindo as pessoas falando mensagens negativas que são passadas para garotas, de como elas devem parecer, como devem agir, e ser. Mas agora eles, com o tanto de ensinamento que é disponível pela internet, eles desviam disso e respondem de uma forma inteligente, interessante, e muitas vezes organizadas. Para mim, a internet deu a essas pessoas, esses garotos que não tinham uma vez organizada, uma voz organizada.

iG: Qual foi o seu momento favorito nessa jornada como escritora e como mentora dos leitores?
Cassandra Clare: Tiveram momentos incríveis, eu tenho muita sorte. Ver o filme sendo feito, e voar para a Comic-Con em um jato particular foi muito legal. Mas o melhor… Eu fiz um evento em Londres e estava no Twitter, tinham umas 600 pessoas lá, e comecei a receber tweets de um garoto falando “vim aqui para te ver, mas tenho que pegar o trem de volta para casa, e preciso falar com você, é muito importante.” Eu perguntei “como você é?” Eu estava com a minha amiga Sarah, então nós escapamos do pessoal da livraria, descemos as escadas e saímos pela fila o procurando. Nós o encontramos no fim da fila, ele estava usando um moletom preto de caveira, acompanhado de um amigo. Ele me mostrou que tinha cicatrizes nos braços e disse: “eu sou gay e tentei me matar uma vez. Mas eu encontrei seus livros e eu nunca mais vou tentar. Agora que eu li sobre o Alec sei que não estou sozinho. Entrei para grupos de outras pessoas que estão falando sobre personagens gays em livros de fantasias, conheci meu namorado e está tudo bem. Obrigado.” Para mim isso foi a coisa mais importante que aconteceu para mim, muito mais que ter feito o filme.

iG: Você lê fanfiction?
Cassandra Clare: Eu não deveria ler fanfiction do meu trabalho, não sei porque existe uma lenda antiga de que você não deve ler fanfiction dos seus próprios livros porque você não quer ser influenciado pelo que acontece nele. Eu certamente já vi algumas coisas que passam pela minha tela, ou eu leio algo que me mandam por e-mail. É uma experiência ótima, mas também estranha porque você pensa “ah, é assim o sentimento de ter o meu personagem sendo escrito por outra pessoa, que o interpreta de maneira diferente.” Eu fico feliz que as pessoas o façam.

iG: Estou perguntando porque o George R. R. Martin deu uma entrevista dizendo que alguns fãs acertaram o fim de “As Crônicas de Gelo e Fogo”...
Cassandra Clare: (Risos) Isso é ótimo. Eu acho que nunca passei por essa experiência. Certamente já pensei: “ah você está certo sobre isso”, mas geralmente são coisas pequenas. Mas nunca encontrei uma fanfiction que seja toda a trama, e “ah meu deus, o que eu vou fazer?” (Risos)

iG: Você é conhecida por ter feito fanfiction de “Harry Potter”, e inclusive foi criticada por isso. Você acha que essa é uma boa maneira de começar a escrever?
Cassandra Clare: Eu acho. Todas as práticas da escrita são boas práticas da escrita. Uma das coisas mais legais das fanfictions é que quando as pessoas estão escrevendo, elas estão escrevendo pelo amor e pela diversão. Não estão ganhando dinheiro, não tem obrigações, nem prazos. Estamos em uma fase de transição entre escrever fanfiction e que escrever profissionalmente deveria vir com bagagem. Mas acho que tem muitas pessoas agora que escrevem fanfiction. Eu já dei cursos para jovens e todos escrevem fanfitction. Vamos transitar para um lugar onde isso é completamente normal.

iG: Agora que é uma autora best-seller, você ainda fica animada quando entra em uma livraria e anda pelas prateleiras para saber o que está sendo lançado, e acompanha seus autores favoritos?
Cassandra Clare: Absolutamente. Não faz nenhuma diferença ser [um autor best-seller]. A melhor parte de virar um escritor é que existe uma chance muito maior de você conhecer essas pessoas. Eu conheci muitas pessoas que eu admiro. Já conheci o Philip Pullman, e foi incível, conheci o Salman Rushdie e pisei no pé dele, eu estava muito animada que ele estava lá. Você vai aos mesmos festivais que eles, os mesmos lugares, você os encontra nos camarins. É incrível conhecer essas pessoas, pra mim mais do que celebridades ou rockstars, fico muito animada em conhecer escritores. Eu continuo feliz em saber dos meus autores favoritos, e quais livros eles vão lançar. Tenho avisos no Amazon para saber o que está sendo lançado, compro na pré-venda. A única diferença é que agora… eu estou animada para ler o próximo George R.R. Martin e existe uma chance de que eu possa o conhecer. Tenho muitas perguntas para ele!

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas