Cecily von Ziegesar critica sagas: "Não me interesso pelo universo sobrenatural"

Em novo livro, autora transforma patricinhas de "Gossip Girl" em assassinas, mas dispensa a moda dos vampiros. "Quando vi 'Crepúsculo' no cinema comecei a dar risada"

Gustavo Abreu , iG São Paulo | - Atualizada às

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Cecily von Ziegesar é a autora das séries "Gossip Girl" e "The It Girl". Na última semana, a escritora norte-americana esteve no Brasil para lançar "Psycho Killer", uma releitura de seu primeiro livro

Serena van der Woodsen está de volta (mais uma vez)! A personagem que consagrou Blake Lively na TV retorna às prateleiras das livrarias, mas desta vez em uma versão muito mais sombria e com sede de sangue. Isso porque está sendo lançado no Brasil “Psycho Killer”, uma releitura do primeiro livro da série “Gossip Girl” com uma pitada de “Dexter” e “O Talentoso Ripley”.

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A autora Cecily von Ziegesar esteve no País pela primeira vez na última semana para lançar a obra e, em entrevista ao iG, reconheceu que é avessa às sagas sobrenaturais e não pretende tão cedo levar vampiros para as festas do Upper East Side, bairro nova-iorquino onde se passam suas tramas.

“Não é o tipo de história que eu quero escrever. Não me interesso nem um pouco pelo universo sobrenatural”, disse a escritora, afirmando que chegou a ler “Crepúsculo” e reconhece que é uma boa história de amor, mas não foi feito pra ela. “Quando assisti ao filme no cinema, comecei a dar risada no meio da sessão e me mandaram calar a boca”, explicou Cecily, se referindo ao personagem de Robert Pattinson criado por Stephanie Meyer.

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"Psycho Killer" foi lançado no Brasil pelo Grupo Editorial Record

O universo literário de Cecily, que foi criada na alta-sociedade de Nova York e, assim como suas personagens, também frequentou os melhores colégios da cidade, parece realmente se limitar às rodas formadas pelas “it girls” colunáveis.

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A autora também não gostou, por exemplo, da Nova York retratada pela atriz e roteirista Lena Dunham na série “Girls”, onde sua personagem vive sem dinheiro e acima do peso. “A série mostra um tipo de pessoa que eu conheço e que fez faculdade comigo. E eu assisto a programas de TV pra ver um mundo diferente”, disse.

Dez anos após o lançamento do primeiro “Gossip Girl”, Cecily também se diverte lembrando que, à época, os jovens não eram tão conectados e a blogosfera ainda começava a tomar forma. “Tive a ideia quando estava lendo uma matéria sobre uma garota que criou uma página na internet para falar mal da amiga e isso foi um escândalo na época. Foi daí que surgiu o formato, então é quase como uma coincidência”, brincou.

No bate-papo a seguir, Cecily von Ziegesar critica as sagas sobrenaturais, elogia “Jogos Vorazes” e detona “Cinquenta Tons de Cinza”. A autora ainda fala sobre o mundo das “it girls” e conta sobre seu novo projeto para a TV, ainda inédito.

iG: Muita coisa mudou na cultura pop desde que seus livros foram lançados, há dez anos, especialmente no jeito como os jovens se comunicam. Você acha que por falar sobre blogs e internet sua série foi pioneira?
Cecily von Ziegesar: Pra mim é irônico pensar que as pessoas associam meu livro aos blogs e a esse universo conectado. Eu não sou muito da internet, tenho medo do Facebook e a “blogosfera” nem existia quando escrevi “Gossip Girl”. Tive a ideia quando estava lendo uma matéria no “New York Times” sobre uma garota que criou uma página na internet para falar mal da amiga e isso foi um escândalo na época. Foi daí que surgiu o formato, então é quase como uma coincidência. Talvez os livros tenham influenciado, mas não sei.

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iG: Com o fim de “Gossip Girl”, a série feminina que tem feito bastante sucesso agora é “Girls”, da HBO. Você já a assistiu?
Cecily von Ziegesar: Sim, eu vi o piloto, mas não tive a mesma reação que a maioria das pessoas. A série mostra um tipo de pessoa que eu conheço e que fez faculdade comigo. E eu assisto a programas de TV pra ver um mundo diferente. Eu achei feio o jeito como as meninas foram retratadas. Mas quando falei isso pros meus amigos eles não aprovaram muito a minha opinião (risos).

iG: Você concorda que o universo de “Girls” é mais realista que o Upper East Side?
Cecily von Ziegesar: Não é mais realista, só tem uma perspectiva diferente. “Gossip Girl” não foi escrito pra ser realista, eu apenas queria uma boa história. Se eu fosse escrever sobre a minha vida como ela realmente é, acho que as pessoas não ficariam interessadas.

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Os livros "Gossip Girl" deram origem ao programa de TV protagonizado por Blake Lively e Leighton Meester

iG: Quando seus livros foram lançados, o termo “it girl” praticamente inexistia. Hoje são muitas no mundo todo, algumas viraram blogueiras de moda e até se organizam pra ganhar dinheiro. Você acha que o conceito de “it girl” foi deturpado?
Cecily von Ziegesar: Usei o termo “it girl” porque era assim como eram chamadas algumas celebridades na época que estavam ditando moda. Eu não sabia o que ia acontecer depois, o monstro que ia surgir (risos). A moda acabou partindo para extremos, mas ela me confunde um pouco. Hoje todo mundo dita moda, independente de dinheiro ou fama. Você não precisa ser famosa pra tirar fotos de seus sapatos e mostrar no seu blog. É uma bagunça. Eu estava assistindo a Kate Moss e aquelas outras supermodelos nas Olimíadas com aqueles vestidos dourados. Aquilo não é moda, são apenas vestidos dourados. Então é um momento bom, cheio de oportunidades para essas garotas “comuns”.,

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iG: Você tem uma “it girl” favorita no momento?
Cecily von Ziegesar: Gosto muito da irmã mais nova das gêmeas Olsen, como ela chama mesmo?

iG: Elizabeth?
Cecily von Ziegesar: Isso, a Lizzie Olsen! Ela é linda e está sempre impecável.

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No Brasil, "Gossip Girl" é exibido pelo canal Glitz* todas as terças, às 21h

iG: Com “Gossip Girl” chegando ao fim na TV, como você avalia o trabalho de adaptação da sua obra que foi feito nos últimos cinco anos pelo canal CW?
Cecily von Ziegesar: Eu assisto a todos os episódios e os produtores sempre me pedem para twittar. Agora a série está muito diferente dos livros. Os personagens estão nos seus vinte e poucos anos. Eu gosto. Estou assistindo, mas separando os livros da série, porque virou outra coisa. Eu estava na gravação do final de temporada e é como um universo paralelo. Eu assistiria mesmo se não tivesse escrito.

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iG: De onde veio a ideia de seu novo livro, “Psycho Killer”?
Cecily von Ziegesar: Eu estava lendo sobre “mash-ups” e como alguns autores usaram zumbis em suas histórias. Não gostei muito da ideia, mas achei que seria divertido brincar com o primeiro livro de “Gossip Girl”, já que ninguém estava fazendo nada que envolvesse este universo de Nova York e garotas. Eu sou muito fã de “Dexter”, então comecei a reescrever a história de Serena, como se ela fosse uma espécie de Tom Ripley, e foi assim que aconteceu.

iG: Você disse à revista “Entertainment Weekly” que não gostaria de envolver zumbis ou vampiros na história. Por que isso?
Cecily von Ziegesar: Não é o tipo de história que eu quero escrever. Não me interesso nem um pouco pelo universo sobrenatural. Ainda quero escrever sobre o Upper East Side. É a Serena, a Blair, a Jenny. Não estou partindo deste universo.

iG: Isso quer dizer que a Serena nunca vai se apaixonar por um vampiro britânico?
Cecily von Ziegesar: Deus, não (risos)! Eu li a saga “Crepúsculo” porque queria descobrir porque todo mundo estava falando sobre ela. E eu entendi que é uma história de amor bonita. Mas quando assisti ao filme no cinema, comecei a dar risada no meio da sessão e as pessoas me pediam para calar a boca. Porque o Edward é tão babaca... E realmente soou engraçado.

iG: Das sagas que fazem sucesso agora, você tem uma favorita?
Cecily von Ziegesar: Eu gosto de “Jogos Vorazes”. Li os livros com a minha filha e fiquei impressionada como ela ficou vidrada, com apenas dez anos de idade. Acho que é o fato de se tratar de um universo futurístico e apocalíptico que realmente atrai as crianças.

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iG: E “Cinquenta Tons de Cinza”?
Cecily von Ziegesar: Não consegui ler. Achei muito chato. Os personagens são entediantes e eu realmente não me importo com o quanto de sexo eles fazem. O livro é mal escrito, é literatura ruim. Não entendi porque as pessoas estão lendo aquilo.

iG: O que vem depois de “Psycho Killer”?
Cecily von Ziegesar: Agora estou desenvolvendo uma série de TV. Talvez nunca aconteça, porque nunca escrevi para a televisão, mas um amigo está me ajudando. O personagem principal trabalha no ramo editorial. É um pouco como “Entourage”, mas mais feminino. E se passa no Upper East Side, então é mais “eu”.

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