Passo a passo: como fazer um podcast

Autores dos programas “Monalisa de Pijamas” e “Matando Robôs Gigantes" dão dicas pra quem quer começar o seu!

Bruno Capelas, iG São Paulo |

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A palavra "podcast" é uma junção entre o iPod e “broadcasting”, que em inglês significa "transmissão"

Já se foi o tempo em que as pessoas descobriam as bandas novas pelas rádios, tendo que suportar por horas e horas um locutor sem graça fazendo piadas mais sem graça ainda. Hoje em dia, qualquer pessoa pode fazer sua própria rádio em casa - e mais: consegue compartilhá-la com seus amigos pela internet.

Foi o que fez Tara Adams, a personagem de Debby Ryan (a Bailey de “Zack e Cody: Gêmeos a Bordo”) no filme “Radio Rebel”. No longa, que estreia este domingo (15) no Disney Channel, Tara é uma garota tímida, que não fala com ninguém em sua escola. Em seu programa de rádio, no entanto, ela se torna Radio Rebel, a apresentadora de um podcast - um programa de rádio transmitido via web.

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“Pra ser um podcast, tem que ser uma atração em áudio que pode ser baixada em mp3”, explica Mafalda, uma das integrantes do podcast humorístico “Monalisa de Pijamas”. “É como um programa de rádio, com a diferença que não é ao vivo, mas sim gravado e editado”.

O que é podcast?

A primeira vez que o termo “podcast” foi usado foi em uma coluna do jornal inglês “The Guardian”, em 2004. A palavra é uma junção entre o aparelho iPod e broadcasting, que em inglês significa transmissão. O VJ da MTV americana Adam Curry foi um dos pioneiros a usar a mídia, sendo também o criador de um dos primeiros serviços de hospedagem de podcasts, o PodShow - hoje chamado de mevio.

Alguns podcasts se tornaram bastante populares de lá pra cá. Affonso Solano, um dos responsáveis pelo “Matando Robôs Gigantes", citou como favoritos os programas do site especializado em games IGN e o “SModcast”, parceria do cineasta americano Kevin Smith com Scott Mosier, lançado semanalmente desde 2007. No Brasil, além do “Monalisa de Pijamas” e do “Matando Robôs Gigantes, outros pods famosos são o do NerdCast, do Jovem Nerd, e o RapaduraCast, do site Cinema com Rapadura.

Faça você também

O processo de fazer um podcast envolve muitas etapas de elaboração, desde a definição dos temas do programa até à edição final, passando pelo roteiro, pela produção e gravação. Mafalda e Affonso conversaram com o iG deram algumas dicas para quem quiser começar o seu próprio programa:

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Podcast é febre desde 2004. No Brasil, o NerdCast e o RapaduraCast estão entre os mais conhecidos
Conteúdo

Antes de tudo, é preciso pensar em um tema interessante ou um ponto de vista diferente. “Existem vários podcasts sobre cinema. Para você se destacar, você precisa falar alguma coisa nova, algo que chame a atenção dentro da podosfera em termos de assunto”, diz Affonso Solano. “Depende muito do que a pessoa quer transmitir. É preciso ter um bom material pra fazer uma pauta. Mas tem que ter algum tipo de conteúdo para poder passar para os ouvintes”, ressalta Mafalda. “A parte técnica é importante, mas o que vai fazer a diferença mesmo é o seu conteúdo, se alguém vai querer ouvir o que você tem pra dizer”, completa Affonso.

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Participantes

“É preciso pensar no que você é bom. Pode ser que você saiba muito de um assunto, mas não saiba se expressar tão bem nele. Se você não é uma enciclopédia humana, não tente ser. Porque senão você vai falar besteira, vai falar informação incorreta, ou vai sofrer comparações. Se você não é engraçado, não force a barra. Chame um amigo seu que é, mesmo que ele não saiba tanto do assunto que você quer falar. E tente ter pessoas com opiniões diferentes, porque senão fica todo mundo falando a mesma coisa” (Affonso)

Roteiro

A menos que você seja muito bom no improviso, é bacana ter um roteiro! “Não acho legal ligar o microfone e sair gravando, porque fica parecendo conversa de bar - todo mundo que esteve nela acha legal, mas quem ouve de fora sempre acha uma chatice”, diz Affonso. Isso não quer dizer que precisa de um roteiro esquematizado, mas é bacana ter ao menos uma linha de raciocínio. “Você vai falar sobre um filme? Apresente a história, diga sua opinião, e encerre dando uma nota, por exemplo. É preciso também ter alguém que conduza isso - ou um mediador do programa, ou alguém que acompanha a gravação.”

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Divulgação
O elenco do "Matando Robôs Gigantes", que fala sobre cinema, games e quadrinhos

Programas para gravar

Existem vários pagos, mas a dica unânime entre os podcasters é o Audacity. “É um programa fácil de mexer, gratuito, e que tem muitas possibilidades de edição. Ele é bom para captação e bom para a edição”, diz Affonso. Se você estiver fazendo conferência com os amigos, a dica de Mafalda é o Skype Call Recorder.

Microfone

Pra começar, você pode usar o microfone que tem em casa mesmo, do computador. Se a coisa se profissionalizar, depois vale investir em algum de marca, mas não tenha pressa. “Até acertar direito o podcast e descobrir se gosta mesmo da coisa, vai tempo. Se gostar mesmo, vale a pena investir depois”, diz Mafalda.

Arquivo pessoal
As autoras do poscast “Monalisa de Pijamas”
Edição

Cada programa tem seu manual, mas geralmente eles são fáceis de aprender e bastante intuitivos. “Eu estimo que para um programa de 40 minutos, você gaste de 6 a 8 horas na edição”, diz Affonso. Segundo o podcaster, o básico é aprender a cortar o áudio e aumentar ou diminuir o volume.

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Produção

Apesar de alguns podcasts usarem música de fundo enquanto os apresentadores falam, isso não é muito recomendado. “Se você põe uma música lenta no fundo, o programa começa a ficar desacelerado e isso faz o ouvinte achar o podcast chato”, diz Affonto. O mesmo acontece se a música for muito rápida -- o leitor perde a atenção. O ideal é intercalar as músicas e balancear o papo com efeitos sonoros.

Hospedagem

Manter um servidor próprio custa algum dinheiro. Para quem está começando existem alguns sites que fazem isso gratuitamente, como o Mevio e o Soundcloud. “Se a coisa crescer, dá pra alugar um servidor - e se dividir com dois ou três amigos não sai caro. Mas também acho importante também ter um blog, um site, alguma plataforma visual para o leitor encontrar o podcast e poder baixar”, diz Affonso.

Divulgação

As redes sociais estão aí para isso! Use e abuse do Twitter e Facebook para mandar os links para os amigos. Mas cuidado para não virar o chato que faz spam! “Tem que ter bom senso! E de preferência oferecer sempre assuntos relevantes que as pessoas estejam procurando”, diz Affonso. Fazer contato com outros blogueiros também é importante. “De repente aparecem convites para gravar podcasts com outros programas. Rola um intercâmbio: os ouvintes do outro programa conhecem o seu trabalho. É um jeito bacana de divulgar”, finaliza Mafalda.

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