Direto dos anos 1990, livro segue atual ao narrar descobertas da juventude

“As Vantagens de Ser Invisível” ganha adaptação para o cinema com Emma Watson no elenco. História marcou geração MTV e chegou a ser banida nos EUA

iG São Paulo , Natália Eiras | - Atualizada às

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Logan Lerman, Ezra Miller e Emma Watson como o trio protagonista do filme baseado no livro

As Vantagens de Ser Invisível” foi lançado em 1999, mas a história de Charlie, Sam e Patrick se passa em 1991. Assim, mais de 20 anos separam a realidade dos jovens leitores de hoje da dos protagonistas da obra de Stephen Chobsky. Estas duas décadas, no entanto, não impedem que qualquer adolescente se identifique com os problemas como escola, amigos, família, drogas e amor, que são tratados na obra, até pouco tempo esgotada no Brasil e que ganha reimpressão pela editora Rocco neste mês.

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A narrativa é tão atemporal que não foi preciso adaptá-la para os anos 2000 quando virou o filme homônimo, que estreia nesta sexta-feira (19) nos cinemas brasileiros sob direção do próprio autor, e Emma Watson (“Harry Potter”), Logan Lerman ("Percy Jackson") e Ezra Miller ("Precisamos Falar Sobre Kevin") no elenco.

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A nova capa do livro, que está sendo relançado pela editora Rocco por causa do filme

“Charlie” é o codinome adotado por um garoto bastante solitário e sensível que acabou de perder o melhor amigo, que cometeu suicídio. Na noite anterior ao primeiro dia no Ensino Médio, o personagem decide escrever cartas para um remetente anônimo que ele não conhece pessoalmente. “Ela me disse que você ouve as pessoas, as escuta e não tenta transar com você em uma festa se você não quer”, explica o rapaz logo no início do primeiro texto que escreve.

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Recém-formado no Ensino Fundamental, Charlie ainda tem uma ingenuidade que vem ao chão quando conhece o casal de meio-irmãos Sam e Patrick. O contato com os veteranos garante ao adolescente uma iniciação no mundo das festas, da maconha e, claro, da sexualidade. Tudo isto, no entanto, de forma bastante natural, já que jovens passam por este tipo experimentações, seja durante a adolescência ou quando entram na faculdade.

Cultura pop

A cultura pop em geral tem um papel importante na formação do personagem principal. A música “Asleep”, do The Smiths, é, por exemplo, a favorita de Charlie, filho de uma geração que costumava conhecer bandas novas quando um amigo lhe dava uma fita cassete gravada. Canções de Nirvana, a banda preferida de Sam e Patrick, também estão na “trilha sonora” do romance, assim como Beatles, U2 e Simon and Garfunkel.

Há, ainda, referência a filmes como “The Rocky Horror Picture Show”, que chega a ser encenado pelos personagens de “As Vantagens” em sessões de cinema. O longa “Reds” e a série “M*A*S*H” também são citados. Esta segunda produção tem um papel bastante importante na relação do protagonista com seu pai, que faz o tipo sisudo e de poucas demonstrações de afeto.

Além disso, Charlie é um leitor assíduo e, por isso, acaba criando uma ligação com seu professor de literatura. É dele que o adolescente recebe a “lição de casa” de ler obras como “On The Road” (Jack Kerouac), “O Grande Gatsby” (F. Scott Fitzgerald) e “O Apanhador no Campo de Centeio” (J.D. Salinger). Esta última escolha, especificamente, é um aspecto interessante.

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A história criada por Chbosky esconde muitos paralelos com o clássico de Salinger. Os dois livros retratam os pensamentos de jovens que não sabem muito bem o seu lugar no mundo e que são extremamente confessionais. Até mesmo o elemento “obra proibida” é parecido: enquanto, nos anos 1950, pais mais moralistas consideraram “O Apanhador no Campo de Centeio” inadequado para seus filhos adolescentes, “As Vantagens de Ser Invisível” passa pelo menos dilema em pleno século 21.

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Stephen Chbosky durante a première americana de "As Vantagens de ser Invisível"

Por sete anos consecutivos, a história de Charlie figura na lista da Associação Americana de Bibliotecas de livros que foram banidos ou retidos em cidades de estados dos EUA como Indiana, Wisconsin e Texas, sob a alegação de que o volume não é recomendável para adolescente por tratar de, forma explícita, sobre sexualidade e drogas.

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Além de ter sido influenciado por grandes obras da cultura pop, “As Vantagens” também influenciou. Apesar de ter estreado na TV pouco tempo antes do livro chegar às prateleiras, a série “Dawson’s Creek” guarda algumas semelhanças com o texto de Chbosky, principalmente pelo teor profundo de seus diálogos. Outra produção que leva um pouco da obra é “Friday Night Lights”, que estreou em 2006 e, atualmente, está em sua quinta temporada.

Um livro sobre amadurecimento

“As Vantagens de Ser Invisível” é um livro curto e dinâmico, mas nem por isso raso. Como tudo é, teoricamente, contado por cartas de um menino de 16 anos, o autor tomou um cuidado especial com o estilo de escrita do protagonista.

No início, o texto do adolescente é bastante pobre e infantil, mas, à medida que vai amadurecendo emocional e intelectualmente, Charlie começa a escrever de uma forma mais profunda e completa. Assim, podemos ver o crescimento do garoto não só nas histórias que conta, mas, também, de uma forma mais subjetiva.

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As Vantagens de Ser Invisível não é algo novo, mas encanta 

Apesar de escrever roteiros, textos que são, geralmente, cheios de detalhes para que os atores conheçam bem seus personagens, Chbosky não te entrega de bandeja nenhum detalhe durante a obra. É preciso prestar atenção em pequenas coisas, porque o autor é sutil ao narrar certos momentos que são um tanto tensos.

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Logan Lerman interpreta, no cinema, o protagonista Charlie

Chbosky demorou cinco anos para escrever o livro e, quando o lançou, aos 29 anos, já tinha deixado a adolescência há muito tempo. Ainda assim, o sucesso da obra foi tanto que, dois anos depois de seu lançamento, já tinham sido vendidos 100 mil exemplares nos EUA. No Brasil, “As Vantagens de ser Invisível” chegou às prateleiras em 2007 com uma tiragem de quatro mil cópias.

Os números impressionantes não são, no entanto, as únicas conquistas da obra. O livro de Chbosky marcou toda uma geração de jovens dos anos 1990 e entrou para o currículo de várias escolas de seu país. O reconhecimento se deve, talvez, ao fato do título ser semi-autobiográfico.

Assim como Charlie, Stephen cresceu em Pittsburgh, na Pensilvânia. Apesar de ter tido uma passagem pelo Ensino Médio bastante diferente, o autor tem elementos em comum com o personagem. “Quando eles [Charlie, Sam e Patrick] passam pelo túnel de Pittsburgh acelerando com o carro e ouvindo música, aquilo sou eu aos 16 anos dirigindo com os meus amigos por aí”, disse o escritor em entrevista à revista americana “Nylon”.

Na mesma conversa à publicação, Chbsky disse que percebeu a importância de sua obra quando começou a receber cartas de fãs que diziam que o livro os tinha impedido de cometer suicídio. “Uma carta que nunca vou esquecer dizia: ‘A primeira vez que me senti amado foi lendo a sua obra’”.

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