Avessos a carros, jovens optam por outros meios de transporte

Ônibus, metrô, bicicleta ou a pé: existe vida para aqueles que optam por não tirar a carteira de habilitação

Rafael Bergamaschi, iG São Paulo |

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Alternativa saudável, bicicleta não emite poluentes e estimula exercícios físicos

Fazer 18 anos é sempre um momento de mudanças. A partir desta idade é possível assumir responsabilidades, buscar um emprego integral, se alistar no exército e, principalmente, tirar a carteira de habilitação. Esse é sempre um assunto recorrente nas salas do 1º ano da faculdade ou do cursinho.

“É muito difícil fazer a balisa!”, “As aulas teóricas são incrivelmente chatas”, “Consegui tirar a carta de primeira”, são comentários comuns. Algumas pessoas, no entanto, optam por seguir caminho alternativo, bem longe dos volantes - e elas garantem: são felizes assim.

Pavor de dirigir

O designer gráfico Raphael Morone, de 24 anos, tem um motivo peculiar para nunca ter assumido a responsabilidade de dirigir um automóvel. “Sempre tive medo, acho que por conta da violência no trânsito. Tem muito motorista maluco!”, conta.

Ao completar 18 anos, tirar a carteira de habilitação nunca foi uma opção levada a sério por ele, que, além de tudo, vê o carro como um meio de transporte muito caro. “Tem que pagar IPVA, seguro, estacionamento... Sai muito mais barato não dirigir”.

Os gastos com um automóvel podem mesmo assustar. Somando todos os gastos, sem considerar o valor inicial pago pelo veículo, manter o carro popular pode custar algo em torno de R$ 15 mil por ano. Cifra considerável para quem começa a dar os primeiros passos no mercado de trabalho.

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Medo de dirigir pode ser um problema na hora de assumir o volante
Se alguns pensam, no entanto, que abandonar o carro é tudo felicidade garantida e o fim do stress cotidiano, Morone explica que não é bem assim. “Você também pega trânsito, também demora para chegar em casa, mas, pelo menos, não é você que está dirigindo, então não precisa lidar com motoristas mal-educados”.

Para deixar de depender do transporte público, o designer, que utiliza primordialmente ônibus para se locomover, pensa em partir por outro rumo. “Tenho muita vontade de ter uma bicicleta. Seria uma solução legal e eu acho essa cultura do ciclismo muito interessante”.

Motorista aposentado aos 27

Símbolo da “cultura do ciclismo”, mencionada por Marone é o estudante de audiovisual Ian Thomaz, de 27 anos. Ele é membro ativo da Ciclocidade, uma associação de ciclistas urbanos da cidade de São Paulo e, participa frequentemente de eventos relacionados ao tema.

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Ian Thomaz percebeu que poderia fazer praticamente tudo de bicicleta
Quando se formou do colégio, no entanto, Thomaz se rendeu à pressão da sociedade e aprendeu a dirigir. “Naquela época parecia a coisa mais importante do mundo”, relata. Logo, ele percebeu que o cotidiano estava completamente modificado. “Diversas coisas que antes eu fazia de bicicleta eu passei a fazer de carro, sem motivo para isso”, diz.

Percebendo que havia algo de errado com aquilo, com um pouco mais de um ano de habilitação ele tomou uma decisão: “resolvi fazer uma lista no papel e elencar quais das minhas tarefas diárias seria possível fazer de bicicleta”. O resultado surpreendeu. “Percebi que era praticamente tudo".

Desde então, o automóvel da família, naquele ano utilizado com frequência por ele, foi relegado para situações extraordinárias. “Hoje eu só uso o carro para transportar equipamentos (necessários para a faculdade) ou equipes grandes, quando vamos filmar algo. Nem todos meus amigos são ciclistas”, conta.

Falta de talento no volante

Ludmilla Rossi, 29, é sócia de uma empresa de marketing digital, mas a grande quantidade de reuniões com clientes nos mais variados lugares não é motivo para convencê-la a aprender a dirigir. “Tenho certeza que não tenho talento algum para dirigir, eu seria uma péssima motorista”, relata antes de acrescentar: “o trânsito seria um lugar muito melhor se mais pessoas se dessem conta disso e não fizessem tantas besteiras com o carro”.

Questionada sobre as facilidades de não dirigir, Ludmilla elenca a praticidade do transporte público como principal vantagem. “Aproveito boa parte do tempo dentro do ônibus ou metrô para resolver problemas, responder e-mails...”, diz.

Claro que, em tempos de violência urbana acentuada, Ludmilla teve que estabelecer algumas regras para seguir usando transporte público com frequência.“Dependendo de onde será a reunião, procuro marcar em determinados horários que sejam mais seguros”. Segundo ela, atenção nunca é demais. “tem que ficar sempre ligado”, finaliza.

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